Ontem assisti ao show do grupo Pouca Vogal, no complexo esportivo da Univates, em Lajeado. “Grupo” é apenas uma maneira de dizer, pois trata-se de um duo formado por Duca Leindecker e Humberto Gessinger, que logo de saída decreta ser esta a menor banda do rock gaúcho.
Pois é, o rock gaúcho… Veja como somos mesmo peculiares aqui ao sul do mundo: temos até uma denominação para o nosso rock. E ontem estávamos diante de duas de suas figuras mais importantes.
Humberto Gessinger e seus Engenheiros conquistaram o Brasil em épocas em que sim, uma banda de rock podia ter suas músicas cantadas por toda a nação, possuir fã clubes mais numerosos longe de sua própria casa. Uma época em que no programa Fantástico era lançado em rede nacional o clipe dos Engenheiros do Hawaii (uma de minhas lembranças mais claras da infância).
Nem entro no mérito de suas letras e suas famigeradas frases. Alguém que consegue fazer com que multidões cantem a complexidade de suas composições já disse ao que veio.
Unindo-se a Humberto, outro importante personagem do nosso rock, Duca Leindecker, que com o seu Cidadão Quem também marcou vários hits na mente de todos nós.
E basicamente, é essa a linha condutora do espetáculo: entre uma e outra bela parceria dos dois, fruto do Pouca Vogal, eles basicamente apresentam o que todos almejam ouvir – canções de suas ex-bandas.
Mas eles surpreendem ao não apresentar um show que poderia facilmente cair no lugar comum daquela combinação banquinho-voz-violão. Os dois se desdobram em todas as músicas, pois além de mostrar novas roupagens para consagradas canções, executam vários instrumentos ao mesmo tempo. Duca, além de tocar violão ou sua guitarra semi-acústica, com os pés, mantém a levada de um gauchíssimo bombo legüero e de um pandeiro. Humberto, conhecido multi-instrumentista, além do violão e da viola caipira, faz o som do contrabaixo e de efeitos percussivos com seus pés. Na parte final do show, surpreende mais uma vez, ao empunhar uma sanfona e proporcionar arranjos novos a velhos clássicos.
Nem é preciso citar o carisma que os dois emanam. E muito disso é facilitado pela platéia ser de espectadores que de fato estavam ávidos por vê-los.
Eu esperava mesmo ver um belo show, mas saí de lá com aquela boa sensação que somente os grandes espetáculos propiciam, que é de querer assisti-lo novamente assim que possível. Sempre enalteço a inquietude daqueles que poderiam simplesmente sossegar. É o caso do Pouca Vogal. Conseguem transmitir a originalidade de algo novo, envolto em elementos interessantíssimos de nossa cultura regional, tendo como resultado um som híbrido, inclusive em suas novas belas composições resultantes deste duo que, acho, identifica muito bem o estado de espírito de seus dois protagonistas, e que, espero, tenha vida muito longa.
É a maioridade de um outrora juvenil rock gaúcho. A música do Pouca Vogal está acima desta classificação, é um exemplo legítimo de nossa música popular gaúcha, que acaba ganhando fãs por todo o país.











