Bruce Springsteen é quem manda

Bruce Springsteen é um artista norte-americano acima de qualquer suspeita. Mesmo quem não cultiva simpatia ao que vem de lá, tem por ele admiração e respeito. Porque ele está neste patamar?

Ele é o legítimo porta-voz do proletário médio americano – o que o aproxima de qualquer trabalhador comum de qualquer outro país. Ele nunca evitou as letras de cunho social e, principalmente, nunca foi ufanista. Aliás, um de seus maiores hits, “Born in the USA” foi levantada por grande parte das pessoas como sendo uma canção de orgulho nacionalista, ao passo que trata-se na verdade, de uma crítica feroz ao apego bélico que os EUA possuem em seu DNA. Um de seus maiores sucessos, com uma letra contundente e crítica, foi distorcida, tanto que em várias vezes ele falou do assunto.

Por estes motivos é que ‘The Boss’ (‘O Chefão’, como é chamado) tem esta moral toda. Além de ter a sensibilidade de retratar o cotidiano da classe trabalhadora, nunca foi hipócrita e sempre se engajou em causas nobres.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, não poderia existir ninguém mais apropriado para, a partir daquele drama, trazer reflexões, choro, lembranças e um sopro de vida e esperança. Pouco depois do acontecimento, Springsteen passou a compor sobre o tema.

Em julho de 2002, é lançado The Rising, um álbum emocionante, sem jamais ser piegas. É como se fosse um motivo para continuar, um mural de homenagens, de lembranças e redenção, de pensamentos sobre o mundo e a vida, mas com o indicativo do passo a seguir.

Recomendo com louvor o álbum, que é um documento histórico. Muitos artistas se disseram tocados e influenciados pela tragédia, mas tenho certeza de que nenhum é tão apropriado para falar do tema quanto Bruce Springsteen.

“Empty Sky” é uma das minhas preferidas. Não convém traduzir parte da poesia porque, assim, acho que ela deixaria de sê-lo. A linda canção traz o vazio de um céu, o atordoamento diante do acontecido, a busca por um norte, a simplicidade de se querer apenas um olhar e um abraço quando tudo em nossa volta desmorona.

Do mesmo disco, a poderosa “Lonesome Day”. E claro, a clássica – e de interpretação distorcida – “Born in the USA”.

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