Rejeição por um clube de futebol

Como sempre sublinho, não costumo escrever sobre futebol aqui no blog. Apenas o faço quando ele é passível de uma opinião que ultrapasse as preferências clubísticas e englobe temas mais amplos.

Hoje será disputada a final da Libertadores da América, entre Corinthians e Boca Juniors. Aqui no sul, se há um momento em que você consegue unir colorados e gremistas em uma mesma torcida, é neste caso – quase a totalidade de ambos os lados torce fervorosamente pelo Boca, seca o Corinthians – disparado o clube mais detestado por estes pagos.

Reitero ser fenômeno aqui do sul porque nitidamente, em outros estados, não há um apego tão grande das pessoas por seus clubes locais quanto aqui no RS. E, incrivelmente, até alguns paulistas identificados com outros times, hoje torcem pelo rival local.

O futebol é também apaixonante por suas dicotomias e suas sazonalidades. Ponto.

Porém, o que acontece que provoca tanta aversão ao Corinthians por parte de quem está longe demais das capitais não se explica de forma simples. Vamos por partes: ao longo dos anos, mais notadamente na última década, o time paulista foi sempre bastante favorecido por arbitragens tendenciosas e por absurdas decisões de tribunais. O caso do Brasileirão de 2005 é um escândalo jamais visto em lugar algum do mundo. Bem, chegou-se ao ponto de se ver o ex-presidente do clube (presidente à época) declarar em entrevista que aquele campeonato fora ‘garfeado’ do Internacional de Porto Alegre, ganho na má fé, na mão grande. Roubado. Da mesma maneira, tornou-se algo corriqueiro ver escandalosos favorecimentos ao time de São Paulo em detrimento de outras equipes. Virou folclore até, parte do dito ‘normal’.

Mais recentemente, o Corinthians praticamente ganhou um estádio de presente (que ainda está sendo construído), ao passo que todos os demais clubes brasileiros, com estádios particulares, tiveram de vender suas almas para as conseqüentes construções e reformas de suas sedes. O favorecimento em favor deste clube ultrapassa a barreira do futebol e alcança o viés político.

Além de questões menores (dirigentes arrogantes e uma torcida que, por sua conotação e estilo, é alvo de constantes piadas), há algo que infla demais essa rejeição: a declarada e insuportável escolha da mídia brasileira como sendo este o clube de sua preferência. As pautas são regidas por tais princípios – em épocas como esta, de decisão, fica impossível assistir algum programa esportivo na televisão. Intragáveis são as manobras para fazer o torcedor engolir o Corinthians como sendo o time de todos os brasileiros. Ao menos é disso que a abordagem do time paulista na imprensa me convence.

Estamos assim: os fatores que mais explicam a aversão e a torcida contra o Corinthians são as sem-vergonhices que permeiam um histórico recente de favorecimento para obtenção de resultados em seu favor e a forma como a mídia empurra este clube goela abaixo das pessoas e acoberta as suas sujeiras.

Dito isto, hoje todos sabem para quem irei torcer. Mas nada de me envolver demais. Acho que já são favas contadas. Contudo, que fique a reflexão diante dos fatos.

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