Dia do Rock – The Traveling Wilburys: o maior dos supergrupos

Bob Dylan, Jeff Lynne, Tom Petty, George Harrison e Roy Orbison

13 de Julho, dia mundial do rock. É sempre uma data agradavelmente lembrada por aqueles que têm o rock em sua vida, seja no passado, no presente, de forma recorrente ou esporádica… Fato é que, como já escrevi num outro 13 de julho, o rock é influência de todos os demais estilos e é também modo de vida.

Dito isto, justamente para não cair no mesmo de sempre e por ter tantas possibilidades é que o dia mundial do rock é sempre um tema desafiante para qualquer pessoas que fale ou escreva sobre música.

Contudo, neste ano, vou decidido. Ando ouvindo o disco de uma das melhores e mais mágicas reuniões musicais de todos os tempos. Aliás, ‘mágica’ é a palavra utilizada por seu mentor para defini-la.

Para brindar o dia mundial do rock: The Traveling Wilburys – banda que reuniu ninguém menos que George Harrison, Roy Orbison, Jeff Lynne, Bob Dylan e Tom Petty.

A meu ver, foi simplesmente o supergrupo mais bem sucedido que já existiu, em termos de composições, personalidades musicais e bom astral.

Em 1988, George Harrison preparava um lado B para seu single “This Is Love”. Após jantar ao lado dos amigos Jeff Lynne (seu co-produtor) e Roy Orbison, acabou convidando-os para participar da gravação no próximo dia, em Los Angeles. Resolveu gravar a faixa no estúdio de outro amigo, Bob Dylan. Da mesma maneira informal, Tom Petty, foi convidado, já que estava com uma guitarra que George havia esquecido em sua casa.

Quis o destino – ou seja lá o que for – que esta reunião de personalidades tão fundamentais da música acontecesse totalmente ao acaso. Da mesma maneira, a ideia de fazer um disco todo com esta formação, surgiu a partir da satisfação de todos com o resultado final da gravação da tal faixa que iria para o lado B do single, “Handle with Care”.

Graças ao ótimo astral, à grande amizade entre todos e à indescritível junção de talentos, um disco todo foi gravado em 10 dias, já que Bob Dylan estava por iniciar uma turnê e o tempo era curto.

Sob a alcunha de The Traveling Wilburys, o supergurpo lançou seu Vol. 1, chegando a um estrondoso sucesso, ao vender 5 milhões de cópias e ganhar um Grammy em 1989. Detalhe é que os músicos se colocaram sob ótimos e curiosíssimos pseudônimos: Nelson Wilbury (George Harrison), Otis Wilbury (Jeff Lyne), Lefty Wilbury (Roy Orbison), Charlie T. Wilbury Jr. (Tom Petty) e Lucky Wilbury (Bob Dylan).

As composições eram feitas em conjunto e o resultado – que é o que importa de fato – foi simplesmente lindo. Este disco é uma obra prima da música pop, mesclando todas as influências e genialidades tão peculiares de cada um. Além de tudo, são todos donos de belas e marcantes vozes. Há claros elementos country e rock. É um álbum que exala bom astral, boas energias… Provavelmente, as mesmas energias que povoaram aqueles dez dias. Possui um clima ótimo!

The Traveling Wilburys adquire uma importância ainda maior por ter reunido entre seus astros o cantor Roy Orbison, um grande ídolo para todos os demais. Elvis Presley dizia que Roy era o dono dá melhor voz da música pop – mesma idéia era compartilhada pelos próprios integrantes da banda. Palavras de Jeff Lyne: “Imagine só um grupo em que você possa reunir o melhor cantor do mundo (Roy Orbison) com o melhor compositor (Bob Dylan)”.

Roy Orbison, que estava com a carreira em baixa, quase no anonimato, ressurgiu a partir do imenso sucesso que foi este projeto. Nada mais justo para alguém que tivesse tantos admiradores ilustres e fosse dono de uma das vozes mais lindas que a música já teve.

Após o sucesso do álbum e da convivência, George Harrison quis gravar o segundo disco. O projeto foi levado a cabo, mas com uma inesperada e trágica perda. Em dezembro de 1988, aos 52 anos, morreu Roy Orbison, vítima de um ataque cardíaco.

A camaradagem e a grande amizade que permeou a composição e as gravações de The Traveling  Wilburys Vol. 1 ficou marcada para sempre nos belos clipes feitos para algumas de suas canções, como na fundamental “Handle With Care”.

Em “End Of The Line”, o grupo fez uma das mais bonitas e emocionantes homenagens que já vi. Eles estão tocando todos juntos, a bordo do trem. Quando entra a voz de Roy Orbison, e em seu lugar aparece um quadro com sua fotografia e sua guitarra sobre uma cadeira de balanço em movimento.

Neste dia do rock, antes de ouvirmos, lermos e vermos aquelas mesmas matérias estereotipadas de sempre, eu quis lembrar e falar de um dos mais lindos episódios musicais já acontecidos, onde a magia se concretizou através da inesquecível reunião de gênios musicais e, principalmente, pela maravilhosa música resultante.

 

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