Por que jamais seremos um país sério – A desvalorização do professor brasileiro em números

Apesar de tantas mazelas que assolam a população brasileira, nenhuma é tão incurável e tão nociva quanto a desvalorização do sistema educacional. Se nosso ensino muitas vezes é taxado de pouco qualificado, isto se deve ao fato de professores competentes estarem desmotivados com seus salários e condições e, possíveis novos bons profissionais, com capacidade e dom para lecionar não se sentirem atraídos para a função.

Embora não haja dado sobre isso, imagino que seja impressionante o número de pessoas que até gostariam de seguir o ofício de professor, mas que se desmotivam pelo descaso que o país tem com os docentes.

Aliás, nem irei entrar nas questões paralelas, como a insegurança, a falta de estrutura e o fato de terem tirado qualquer poder de disciplina por parte do educador diante do aluno.

Voltando à questão salarial, na última semana dados revelados através de estudos realizados por economistas, por agências da ONU, Banco Mundial e Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) trouxeram números concretos de algo que já se sabia: professores brasileiros em escolas de Ensino Fundamental têm um dos piores salários de sua categoria em todo o mundo e recebem uma renda abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) per capita nacional.

Economistas constataram que um professor do Ensino Fundamental de São Paulo ganha, em média, US$ 10,6 mil por ano. O valor é 10% do que ganha um professor nesta mesma fase na Suíça, onde o salário médio dessa categoria em Zurique (Suiça) seria de US$ 104,6 mil por ano.

Segundo Guy Ryder, diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com salários baixos, a profissão não atrai pessoas qualificadas. O resultado é a manutenção de sistemas de educação de baixo nível. “Muitos já não consideram dar aulas como uma profissão com atrativos”, disse. Para Ryder, a educação deve ser vista por governos como “um dos pilares do crescimento econômico”.

A OIT e a Unesco apontaram em outro estudo que docentes que começam a carreira no Brasil têm salários bem abaixo em relação a uma lista de 38 países – apenas Peru e Indonésia pagam menos. O salário anual médio de um professor em início de carreira no país chegava a apenas US$ 4,8 mil – na Alemanha, esse valor era de US$ 30 mil por ano.

Para completar o cenário miserável de nossa educação, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) demonstrou que, em países desenvolvidos, o professor recebe um vencimento 17% superior à média salarial nacional, o que torna a profissão ainda mais atrativa.

Países como a Coréia do Sul tomaram medidas drásticas com o objetivo de promover seu real desenvolvimento, aumentando radicalmente a valorização salarial de professores – o que obviamente se reflete no nível profissional, tecnológico e sócio-cultural daquele país.

Todos estes dados estarrecedores deveriam ser motivos para um verdadeiro escândalo nacional.

A mídia e a classe política teriam de propagar e bancar uma espécie de “agora chega!”. Contudo, a complacência é nossa diretriz.

Nossos políticos – estes sim entre os mais bem pagos e os mais salafrários do mundo – são o verdadeiro câncer de nosso moribundo sistema educacional.

Não raro, além de achatarem a valorização dos profissionais e impossibilitarem o ingresso de gente mais qualificada na profissão, ainda aparecem falando mal da educação e de professores.

Enquanto não houver medidas radicais de valorização da classe docente, jamais serão atraídos para o ofício pessoas de melhor formação cultural, com verdadeiro dom para o ensino e com capacidade de fazer os alunos pensar.

Hoje no Brasil o que se vê é um número cada vez maior de alunos em faculdades particulares, estudantes que as vezes mal sabem ler, que  muitas vezes são analfabetos funcionais, que apenas irão inflacionar o mercado de emprego, tendo uma qualificação meia-boca, com diploma e sem garantia alguma de aproveitá-lo de fato.

Triste cenário de um país que jamais pode ser sério, pois seriedade e prosperidade são impensáveis em uma nação que se satisfaz apenas com futebol e carnaval, que aplaude políticos picaretas enchendo os bolsos, que possui a índole corrompida em sua derme e acha isso normal.

Triste cenário de uma nação que assiste, impávida, o gradativo e lento extermínio do setor mais importante para a sobrevivência e o crescimento de um indivíduo e de um povo: a educação.

Fonte dos dados: Estadão

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