Arquivo mensal: dezembro 2012

A previsível tragédia do trânsito

Assusta, mas não surpreende o grande número de acidentes e mortes no trânsito que aconteceram durante este feriadão de Natal. Como em qualquer situação de tragédia, o motivo nunca é um só. Porém, é necessário fazer algumas reflexões a fim de tentar apontar o que incita a carnificina.

Este doentio incentivo à compra de automóveis por parte do governo brasileiro acentua de maneira meteórica alguns problemas crônicos, além de outras pedras cantadas do nosso modo de operação rodoviário – inclua-se aí o perfil psicológico de motoristas e população.

Não acredito haver no mundo outro país no qual o carro seja praticamente uma extensão do corpo de seu usuário. O sujeito pode até não ter condições de se alimentar, mas à primeira possibilidade, compra um automóvel. Por outro lado, contraditoriamente, mesmo sabendo da dificuldade de dirigir e estacionar, criou-se a cultura de andar nas cidades a bordo de caminhonetes off-road, verdadeiros trambolhos inimigos de qualquer resquício de mobilidade. Retrato do individualismo, demonstração de status ou falta de noção mesmo?

O crescimento da frota foi monstruoso nos últimos anos, ao passo que a malha viária anda a passos de formiga, no que diz respeito à sua conservação e, principalmente, aumento de extensão. E aí entramos na parte da velha e boa burocracia brasileira, na qual tudo que depende de políticos fica estagnado. São eles o nosso verdadeiro flagelo, nosso terremoto, nosso tsunami, nossa praga.

Finalmente, some-se a isso aquele que ainda é o maior motivador da tragédia em nossas rodovias: os próprios motoristas. Comprovadamente, a quase totalidade dos acidentes fatais se dá por falha humana.

Cada vez é mais fácil adquirir um carro, sem contar que a compra vira uma questão de vida ou morte para os indivíduos, num país curto de ideias como o nosso. À mesma medida, novos motoristas são formados aos milhares a cada mês. A primeira atitude do recém detentor da CNH, conseguida após algumas horas de repetitivas, viciadas e parcas aulas de direção é juntar as tralhas e viajar no feriadão. O motorista, ainda cru, mete-se na selvageria de uma rodovia, geralmente de pista simples e desgastada, andando e competindo em ultrapassagens com outros malucos – muitas vezes experientes e, claro, cheios de confiança. É uma selvageria que também se reflete no trânsito dos centros urbanos, porém muito mais letal.

Este é apenas o perfil de uma parcela dos motoristas que estão por aí, a solta nas estradas. O maior problema ainda é a imperícia, a arrogância, o excesso de confiança, o erro de cálculo, a incapacidade de se antever aos fatos, a falta de calma e de concentração, a agressividade, a burrice.

Ora, sabemos que nossas pistas estão abarrotadas de automóveis e motoristas de perfil desconhecido, ao mesmo tempo em que as estradas não possuem a estrutura esperada. Pois que se dirija de acordo com estas condições!

É muita ignorância andar em nossas rodovias tal qual se estivesse em uma autobahn alemã. Mais sem sentido ainda é forçar ultrapassagem para ficar trancado no congestionamento ali adiante ou andar colado na traseira do veículo que está na nossa frente.

É um conjunto de fatores que causa essa tragédia a cada fim de semana ou feriadão. Mas o fator preponderante ainda é a nossa falta de educação.

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A íntegra da apresentação de Roger Waters no concerto 12-12-12

E salve estes tempos de Youtube, quando não temos a possibilidade de acompanhar ao vivo – seja in loco ou pela tv – um show tão incrível como foi o Concerto Beneficente 12-12-12, acontecido na noite quarta-feira, em Nova York.

Aí está, o vídeo na íntegra da magistral e emocionante apresentação de Roger Waters. De quebra, é possível acompanhar em detalhes a performance dessa grande banda que o acompanha já faz um bom tempo.

Vou chorar ali num cantinho e já volto.

Indicados ao Globo de Ouro são divulgados

Como se sabe, iniciou a temporada de estréia de bons filmes mundo afora. Mesmo que também sejam lançados em menor profusão durante outros períodos, é na época de fim de ano – que antecede as grandes e tradicionais indicações aos mais almejados prêmios cinematográficos  – que uma grande leva de belos filmes nos é apresentada.

Problema é conseguir acompanhá-los no cinema, ainda mais quando não se tem um ao lado de casa para a hora que bem se entender. Todavia, ficam aí as dicas para sessões em casa nos meses futuros.

Na sequência, os indicados aos principais prêmios do 70º Globo de Ouro, que terá sua cerimônia em Los Angeles no dia 13 de janeiro.

 

Melhor filme – Drama
Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
A Hora Mais Escura

Melhor filme – Musical
O Exótico Hotel Marigold
Les Misérables
Moonrise Kingdom
Amor Impossível
Seven Psychopaths

Melhor ator – Drama
Daniel Day-Lewis, Lincoln
Richard Gere, A Negociação
John Hawkes, The Sessions
Joaquin Phoenix, The Master
Denzel Washington, Flight

Melhor atriz – Drama
Jessica Chastain, A Hora Mais Escura
Marion Cotillard, Ferrugem e Osso
Helen Mirren, Hitchcock
Naomi Watts, O Impossível
Rachel Weisz, The Deep Blue Sea

Melhor ator – Musical ou comédia
Jack Black, Bernie
Bradley Cooper, O Lado Bom da Vida
Hugh Jackman, Les Misérables
Ewan McGregor, Amor Impossível
Bill Murray, Hyde Park on Hudson

Melhor atriz – Musical ou comédia
Emily Blunt, Amor Impossível
Judi Dench, O Exótico Hotel Marigold
Jennifer Lawrence, O Lado Bom da Vida
Maggie Smith, Quartet
Meryl Streep, Um Divã para Dois

Melhor ator coadjuvante
Alan Arkin, Argo
Leonardo DiCaprio, Django Livre
Philip Seymour Hoffman, The Master
Tommy Lee Jones, Lincoln
Christoph Waltz, Django Livre

Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams, The Master
Sally Field, Lincoln
Anne Hathaway, Les Misérables
Helen Hunt, The Sessions
Nicole Kidman, The Paperboy

Melhor diretor
Ben Affleck, Argo
Kathryn Bigelow, A Hora Mais Escura
Ang Lee, As Aventuras de Pi
Steven Spielberg, Lincoln
Quentin Tarantino, Django Livre

Melhor roteiro
Amour: Michael Haneke
Django Livre: Quentin Tarantino
Lincoln: Tony Kushner
O Lado Bom da Vida: David O. Russell
A Hora Mais Escura: Mark Boal

Melhor trilha sonora
Anna Karenina: Dario Marianelli
Argo: Alexandre Desplat
A Viagem: Reinhold Heil, Johnny Klimek
As Aventuras de Pi: Mychael Danna
Lincoln: John Williams

Belos momentos no 12.12.12… mas Paul é o maior

Embora eu não tenha visto o concerto beneficente 12.12.12 ao vivo na noite de ontem, fui dar uma olhada com toda a calma nas repercussões e nos próprios vídeos de algumas das apresentações.

Houve momentos mágicos, como a reunião de Roger Waters e Eddie Vedder cantando “Confortably Numb” e Paul McCartney apresentando-se com os remanescentes do Nirvana, Dave Grohl , Krist Novoselic (que me impressionou pela aparência de tiozão) e Pat Smear.

E, depois de ver mais alguns momentos bacanas dos shows e analisar comentários e resenhas, me arrisco a dizer novamente aquilo que muitos, talvez, ainda não conseguem ver plenamente: Paul McCartney é o maior.

Ele está num patamar único de artista pop. Ninguém causa tamanha comoção, tamanha sensação de se estar diante de uma divindade. E isso vale para público e parceiros de palco. Impressionante ver como perante Paul todos ficam com um ar de tietes.

O músico que toca ao lado de McCartney deveria sair do palco com um diploma. Não há marca maior.

E agora lembro-me de sua simpatia quando da passagem, há dois anos, por Porto Alegre. Em frente ao hotel, para preocupação de seus seguranças, Paul ficou pendurado na porta do carro para poder acenar aos fãs de prontidão. Naqueles dias o ar que respirávamos parecia diferente. Por falar em diferente, aí se vê algumas diferenças entre artistas de alto cacife, mas que possuem uma energia superior inexplicável e aqueles que são tão somente estrelas pop, vide Madonna e sua falta de saco pros shows e estada no Brasil.

Paul McCartney tem a indescritível virtude de ser um gênio musical reconhecido em qualquer parte do mundo com o difícil dom da simplicidade (abrangente nos mais diversos aspectos). É por isso que ele se torna tão maior. É desnecessário falar de sua arte, mas é fundamental ouvi-la – se você ainda não o fez, reserve um momento de sua vida para fazê-lo. Agora, o que é possível tentar debater, mas que não têm uma definição, é essa energia tão boa que ele passa, seja estando-se diante dele num show ao vivo, seja estando a milhares de quilômetros vendo-o pela TV, seja dividindo o palco com ele, seja sendo um fã incondicional sem a menor chance de contato…

Em tempo, performance pesadíssima, furiosa de Paul tocando “Cut me Some Slack”, canção composta especialmente para o show, ao lado do Nirvana.

E Roger Waters e sua grande banda com Vedder cantando “Comfortably Numb” foi também um grande momento do concerto.

Morre o músico de jazz Dave Brubeck

220px-Dave_Brubeck_2005_in_Ludwigshafen_1_fcmFaleceu na manhã desta quarta-feira o pianista e compositor de jazz Dave Brubeck, depois de sofrer uma parada cardíaca.

Brubeck, que estava a caminho do cardiologista para a realização de exames médicos, morreu em companhia do filho. Amanhã ele completaria 92 anos de idade.

Figura confirmada no meio, ao lado de seu quarteto, Dave Brubeck eternizou alguns standards do jazz, dentre os quais, um de meus favoritos, “Take Five” – um dos temas mais conhecidos do estilo.

Aquela música do comercial

headerjuliana

Talvez você nem tenha prestado atenção. Ou, quem sabe, você tenha parado o que estava fazendo para curtir o comercial levado pela música diferente e querida que estava tocando na trilha. Comigo foi a segunda opção. Músicas bacanas, de algum modo diferentes, sempre são um belo chamariz para uma propaganda.

O comercial no caso é o da Microsoft, do Windows 8 – já li por aí que a música é melhor que o produto. Mantenho-me longe da discussão.

Um pop, meio indie, meio folk, cantado em espanhol logo me levou a imaginar que fosse alguma banda bacana do México, da América Latina, sei lá. E qual não foi a minha surpresa em saber que “El Hueco” (a trilha da propaganda) é de uma cantora e compositora paulista, chamada Juliana R? Aos 23 anos ela emplacou sua música na campanha mundial da empresa.

Ainda não ouvi seu trabalho todo, mas pelo que pude me informar – e ouvir previamente – me interessou. Embora constantemente associada ao “novo folk”, a cantora Juliana R prefere se esquivar dessas categorias, apresentando-se somente como cantora e compositora. Os comentários a respeito de sua música refletem a diversidade dos gostos e das influências da cantora, dentre os quais estão o cenário musical da Jamaica dos anos 60 e 70, sonoridades brasileiras como bossa nova e tropicália e o experimentalismo da banda The Velvet Underground.

Aqui, o link para “El Hueco”.

Fonte: www.julianar.com.br

Aniversário de Jeff Bridges

jeff-bridgesImpossível não render homenagem a um dos meus heróis do cinema no dia de seu aniversário: parabéns, Jeff Bridges!

Hoje ele completa 63 anos, sendo um dos atores mais autênticos e menos afeitos à toda a badalação tão comum ao meio e aos colegas atores.

Sou seu fã de longa data, mas Jeff me arrebatou definitivamente com “Coração Louco” (2009), filme pelo qual venceu o Oscar de melhor ator. Nele, Bridges interpreta Bad Blake, um cantor country decadente – bem como já escrevi em outra oportunidade aqui no blog.

Coração Louco

Vida longa a um dos atores mais sensacionais do cinema!