Os 40 anos de The Dark Side Of The Moon

Dark_Side_of_the_Moon_Desktop_by_ezsteve

Hoje é um dia especial: o aniversário de 40 anos de lançamento daquele que é, para mim, o melhor disco de todos os tempos – The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd. É um dia especial para todos aqueles que são fãs da banda, do álbum ou mesmo de alguma das canções.

Mas porque, em meio a toda essa música que nos rodeia, ser tão taxativo em afirmar que este é o melhor álbum já feito?

Primeiro porque, para um fã do Floyd, ele significa o renascimento da banda, após um período turbulento e de ceticismo, depois da traumática saída de seu fundador, Syd Barret.

Embora o disco que o anteceda seja o Obscured by Clouds (de 1972, cujo título dá bem a ideia da fase “obscurecida pelas nuvens” que o grupo vivia e que continha a trilha sonora criada para o filme La Vallée,) foi no anterior Meddle (de 1971), mais precisamente através de uma belíssima canção chamada “Echoes” (cuja duração de 23 minutos ocupava todo o lado B do álbum) que pintou um indício daquilo que viria a ser a temática existencial e instrumental de Dark Side…

Agora, mesmo para quem não é fã de Pink Floyd, ou tampouco conheça e goste tanto de rock, o grande trunfo de Dark Side… está no conceito geral do trabalho, proveniente da genialidade de Roger Waters, criador de canções baseadas em suas angústias pessoais, mas que eram e que são, na verdade, as grandes dores do mundo, desde sempre:  a passagem do tempo, o medo da morte, a ganância, o dinheiro, a tristeza, a loucura, a ilusão, a solidão.

The Dark Side Of The Moon acaba reunindo temas pesados, que fazem parte da vida de todos nós.

Waters foi a mola propulsora, no entanto, ao lado de todos os demais integrantes – David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason – eles funcionavam como um único elemento, dando o melhor de suas contribuições para que as grandes canções se materializassem. Gilmour, era notadamente o mais preocupado com a parte musical, de melodia, e a partir deste disco, entrou definitivamente para o cast dos maiores guitarristas de todos os tempos. O baterista Nick Mason estava num período inspirado e propôs batidas diferenciadas em relação ao que as bandas faziam então. O tímido Richard Wright trouxe sua influência e paixão pelo jazz, mais notadamente em canções como “Breathe” e “The Great Gig In The Sky”.

Quando se fala de um álbum grandioso, os motivos que o elevam a tão alto patamar abrangem aspectos infindáveis. Com a popularização dos aparelhos de som estéreo, até então nunca um disco havia sido tão bem trabalhado no quesito de qualidade sonora e quantidade de efeitos especiais com sons gravados externamente (o que se tornou uma marca do Pink Floyd). Méritos indiscutíveis para os engenheiros de som Alan Parsons e Chris Thomas.

Quando Dark Side… estava em processo de finalização, Roger Waters teve uma sacada que mostra o porquê de um indivíduo ser considerado genial e absurdamente talentoso naquilo que se propõe a fazer – uma ideia aparentemente simples, mas que se mostrou natural e indispensável para tornar o trabalho perfeito. Ele passou a escrever em vários bilhetes perguntas corriqueiras, mas desconfortáveis, como “o que há no lado escuro da lua?” “quando foi a última vez que você foi violento?”, “você tem medo da morte?”, além de inúmeras outras, relacionadas à temática do disco.

Waters dava alguns destes bilhetes a pessoas que estivessem no estúdio Abbey Road naqueles dias – muitos dos quais famosos, como Paul e Linda McCartney –  e gravava as respostas. No entanto, o resultado incomodou Roger, que notou falta de espontaneidade nos registros. Assim, veio a grande cartada de registrar as falas de pessoas comuns que por lá estavam, incluindo o roadie da banda e o porteiro do prédio.

As vozes, as gargalhadas, as respostas, os gritos, são elementos inseparáveis do disco. Você não relaxa ouvindo The Dark Side of The Moon. É um disco para ser apreciado em todo o seu brilho, contudo é aflitivo. Nos faz deparar, simplesmente, com nossa vida.

Indico, com louvor, mesmo para quem não é um fã tão ávido do Pink Floyd, que assista ao documentário sobre a criação de The Dark Side Of The Moon (da série Classic Albums). É um deleite. Possui imagens de arquivo da banda no estúdio, levando a cabo a sua obra-prima. Lá estão explicados detalhes de como foram criadas canções, como foram resolvidos certos acordes, como foram obtidos efeitos sonoros. Mescla depoimentos deliciosos dos integrantes da banda com o dos engenheiros de som e de jornalistas conceituados.

Por mais que se fale, por mais que se ouça, por mais que se procure entender… tudo sempre parecerá pouco diante da grandeza de The Dark Side Of The Moon.

Dia de reverenciar.

“Speak to me” / “Breathe”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: