Elton John em Porto Alegre: o relato de quem assistiu

Terça-feira, dia 05 de março de 2013, o cantor pop Sir Elton John apresentou-se em Porto Alegre. Quem foi diz ter ficado maravilhado com o espetáculo repleto de hits da melhor fase do cantor britânico. 

Abaixo, segue um belo relato de Tiago Segabinazzi, que esteve no show e nos conta, com riqueza de detalhes, como foi a viagem junto do Rocket Man.

elton3

Elton John – o Homem-Foguete está decolando

Fico imaginando o que passa na cabeça de um músico quando prepara o setlist de um show que comemora a história de sua carreira. Onde deixar o grande hit? Aquele grande sucesso que animaria o público desde as primeiras notas e que une os fãs conhecedores de toda a carreira do artista com os turistas que apenas foram lá ver uma celebridade em turnê pela sua cidade. Qual é o lugar certo no repertório para colocar o trunfo da noite?

Seria no começo, para elevar a plateia ao êxtase extremo e esperar que as canções seguintes sigam embaladas pelo vácuo deixado? No meio, para equilibrar melhor o auge musical com todos os momentos do show?  Ou no fim, para que todos fiquem esperando ansiosamente pelo baita som da noite?

Sempre procuro a saída para essa equação em shows de grandes músicos e a melhor resposta que tive até agora foi de Elton John, na turnê 40th Anniversary of the Rocket Man: ter uma carreira com muitos hits e fazer um show só com eles. Em sua primeira passagem por Porto Alegre, o Homem-Foguete tocou clássicos memoráveis como Your Song, Crocodile Rock, Goodbye Yellow Brick Road, Candle in the Wind e ainda pôde se dar ao luxo de deixar de fora a aclamada Sacrifice. Uma escolha justificada pelo próprio repertório.

Após meia hora de blues do talentoso pianista gaúcho Luciano Leães, a penumbra tomou conta do palco no Estádio Passo d’Areia. Ansioso, o público esperava disciplina britânica para começar o show. Passaram-se “imperdoáveis” dez minutos do horário anunciado até o silêncio ser quebrado por algumas notas de guitarra. Em seguida a introdução da já esperada Bitch is Back. O riff que animou a plateia foi a deixa para surgir o Cavaleiro da Ordem do Império Britânico. De óculos azuis e vestindo um sobretudo brilhante, Elton John caminhou por toda extensão do palco para acenar aos fãs. Sentou-se ao piano quase no último instante possível e, de bate-pronto, se pôs a cantar. Uma visão emblemática da energia que o astro de quase 66 anos (faz aniversário no dia 25 de março) esbanjaria durante duas horas e vinte minutos de espetáculo.

A sequência inicial é espantosa. Poucos segundos depois da primeira música, vem a qualificada Bennie and the Jets, que para mim é o símbolo do patamar musical em que está inserido Elton John. A espirituosa Grey Seal chamou o público a cantar. O coro só aumentou com as próximas duas canções-história: Levon e Tiny Dancer. Com autoridade veio então a poderosa Believe.

Esta última manteve o clima, e sua letra serviu de gancho para encaixar a primeira balada da noite que foi aperitivo para os casais: Mona Lisa and the Mad Hatters. Mas a plateia logo voltou a se agitar com a dançante Philadelphia Freedom.

Um dos pontos mais grandiosos da noite, o próximo momento começou calmo, mas cheio de história: Candle in the Wind, a música feita originalmente para Marilyn Monroe e que mais tarde foi dedicada à Princesa Diana após seu falecimento. Na sequência, a música homônima do álbum de 1973 que mais cedeu canções ao show: Goodbye Yellow Brick Road. Chegou então, o hit que dá nome à turnê, Rocket Man. A letra diz “And I think it’s gonna be a long, long, time”. Mas até aquela hora não. Já era metade do show e a sensação era de que recém havia começado, e ao mesmo tempo a certeza de que tudo aquilo foi o bastante para o ingresso valer a pena.

Contrastando com as canções que fizeram Elton John decolar com sua carreira, a ótima Hey Ahab faz parte de seu último álbum, em parceria com Leon Russel, em 2010. I Guess That’s Why They Call It The Blues foi a pausa para tomar fôlego antes de Funeral for a Friend, já tradicionalmente grudada com Loves Lies Bleeding, totalizando onze minutos de música. Esbanjando fôlego, o hitman não demorou nem 15 segundos para se recuperar, iniciar Honky Cat e emendar com a não menos energética Sad Songs.

O repertório de até então revelou uma soberba apresentação da banda. Se destacam o virtuoso guitarrista Davey Johnstone – que foi aplaudido de pé ao final do show – e o baterista Nigel Olsson, com um estilo curiosamente contrário ao que se diz de discreto. A batida simplória e ao mesmo tempo profunda foi protagonista na performance do grupo, que tem méritos determinantes em garantir o quilate de todo show.

A canção Daniel denunciou que o próximo bloco seria dos casais. As baladas seguintes, Sorry Seems to be the Hardest Word, The One, Skyline Pigeons e Don’t Let the Sun go Down on Me seguraram um pouco a empolgação da plateia, mas manteve a qualidade necessária para receber o devido reconhecimento, mesmo que apenas com palmas.

A parte final da noite ganhou novo fôlego com I’m Still Standing, que preparou o momento de maior interação do público com Elton John. Na música Crocodile Rock subiram cartazes de “lá-láláláláláááá” imitando o refrão da música. A contagiante Saturday Night’s Alright (For Fighting) encerraria o show com agitação, mas todos já esperavam pelo bis. Tratava-se de Your Song. Antes de se despedir, Elton John autografou algumas camisetas e agradeceu ao público pela noite.

Foram 25 hits daquele que foi eleito pela revista Rolling Stone o artista solo de maior sucesso na música. A carreira de mais de 40 anos foi resumida em duas horas e vinte minutos de espetáculo de tão alto nível que a impressão é que ao invés de dizer adeus, Elton John continua a percorrer a Estrada dos Tijolos Amarelos.

 

Setlist

Bitch is back
Bennie and the Jets
Grey Seal
Levon
Tiny Dancer
Believe
Mona Lisa and the Mad Hatters
Philadelphia Freedom
Candle in the Wind
Goodbye Yellow Brick Road
Rocket Man
Hey Ahab
I Guess That’s Why They Call It The Blues
Funeral for a Friend/Loves Lies Bleeding
Honky Cat
Sad Songs
Daniel
Sorry Seems to be the Hardest Word
The One
Skyline Pigeons
Don’t Let the Sun Go Down on Me
I’m Still Standing
Crocodile Rock
Saturday Night’s Alright (For Fighting)
Your Song

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: