Lá, onde o Dia do Professor é uma data triste

Dia do Professor nunca é uma data plena de bons pensamentos. Lembro de todos os professores que já tive ao longo da vida e vejo esse período como um dos mais importantes de nossa passagem pelo mundo.

Contudo, não há como não pensar na desvalorização que o professor tem neste país.

Os governantes tentam vencer o professor no cansaço, e o fazem por meios baixos, pagando mal, jogando-os para serem devorados pela sociedade. E a sociedade, perdoe-me, é a maior vilã dessa incompreensível diminuição da mais nobre das profissões.

É assim que pensamos: tornar-se professor passou a ser uma coisa menor.

Numa sociedade em que o “ter” é valorizado em detrimento do “ser”, não se pode esperar que se olhe de maneira séria para a questão dos professores.

Desgraçadamente, somos um país de classes sociais emergentes apenas pelo aspecto do consumo. Intelectualmente, continuamos no limbo. Não precisamos pensar – compramos tudo em prestações e resolvemos nossa vida com a ostentação de nossa ignorância via redes sociais.

Vou eu me preocupar com um professor de ensino básico enquanto posso tranquilamente jogar lixo pela janela do meu carro, antes de dobrar a esquina sem ligar a seta, ouvindo música de péssima qualidade a todo volume, sem me importar com o incômodo que proporciono?

Alguém acha que vou comprar uma causa furada dessas enquanto meu filho freqüenta a faculdade de medicina, onde ele tem uma turma da pesada, com a qual outro dia ele participou da aplicação de um trote constrangedoramente cruel aos calouros?

Enquanto esperarmos dos governantes que eles deem um jeito na valorização dos professores, nada irá acontecer. A classe política brasileira é falida, é podre, trabalha somente em benefício próprio e dá gargalhadas do resto.

A sociedade é passiva, alienada e individualista. E vem se acostumando a vencer pelo material, não pelo mérito.

Não há nada mais triste do que um país que negligencia seus professores. E este é o nosso retrato. A população que pouco se importa com a educação, é uma população vazia, triste, insípida, sem graça, sem ideias e sem futuro. Anda apenas no embalo da manada, prefere ir ao shopping ao invés de frequentar uma feira do livro.

O cenário apenas irá mudar no dia em que a valorização do professor e da educação for encarada como algo imprescindível, do qual depende nosso futuro e nossa evolução, mesmo que para isso tenha que se erguer bandeiras e bater de frente como nossa maior tragédia natural – a classe política.

 

 

 

 

 

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Um pensamento sobre “Lá, onde o Dia do Professor é uma data triste

  1. Adriana Abrão 15 de outubro de 2013 às 10:56 am Reply

    Nunca cumprimento meus colegas de profissão nesta data, porque sinceramente, não sei se é muito pessimismo da minha parte, mas hoje não vejo motivos para se cumprimentar, muito pelo contrário. Poucas e raras exceções de trabalhos que deram certo, por esforços quase sempre sobrehumanos,muitas vezes pagando para trabalhar, colocando dinheiro do próprio bolso (isso é inadmissível, ou é profissão ou é caridade!) escondidas por esse Brasil afora, que um Fantástico da vida apresenta num domingo qualquer e sempre próximo à data, para se tornar piegas, claro, e atingir a massa. Triste.

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