Um belo filme, uma química perfeita

james-gandolfini“À Procura do Amor” (“Enough Said”, de Nicole Holofcener, 2013)  é mais um daqueles filmes que, levando-se em conta o título que recebeu no Brasil, não desperta maiores atenções. No entanto, o que me atraiu para assisti-lo, antes de qualquer coisa, foi a dupla de protagonistas, consagrados por suas atuações em séries de absoluto sucesso na televisão: Julia Louis-Dreyfus, de “Seinfeld” (e que está na crista da onda nos EUA por seu papel na série de comédia “Veep”) e James Gandolfini, de “Família Soprano” (morto de infarto, logo após as filmagens).

Eva e Albert vivem situações parecidas: ambos são separados e estão prestes a encarar uma nova fase em suas vidas, já que suas filhas vão sair de suas casas para a faculdade. Eles se conhecem em uma festa e, a partir daí, começam a flertar e viver a sua história.

Tudo vai indo deliciosamente bem até que Eva descobre que sua mais nova cliente e amiga é a ex-mulher de Albert.

Não preciso usar o clichê “a partir daí a história se desenvolve” porque ela é atraente desde seu início. Os diálogos são maravilhosos e o humor inteligente permeia todo o filme.

E o grande destaque é a química perfeita que rola entre Julia Louis-Dreyfus e James Gandolfini. Seus personagens são de uma honestidade rara e as atuações apenas sublinham o renome que possuem por suas respectivas carreiras.

 

Sou fã de comédias românticas e assumo isso sem o menor constrangimento. Não dá pra viver só de filmes cabeções, dramas pesados, etc. Claro, estamos falando de bons filmes, veja bem. Assim como nos gêneros de suspense e ação, há um sem-número de besteiras produzidas nesse estilo – é preciso garimpar as preciosidades.

E no Brasil isto torna-se ainda mais difícil graças a estes títulos bisonhos que são dados aos filmes. Parece que o cidadão encarregado desta tarefa apenas olha o gênero, constata que é comédia romântica e tasca lá qualquer coisa que possa ser complementada com a palavra “amor”. É surpreendente a falta de criatividade e a insistência em sair do título original

Dito isto, “À Procura do Amor” é um filme delicioso, querido, inteligente, que nos garante boas risadas, graças ao carisma dos atores e aos ótimos diálogos, tão espertos quanto reais. São inúmeros os momentos em que podemos fazer um paralelo com nossos hábitos, como supervalorizar defeitos do outro e levar demais em conta a palavra de quem está do lado de fora, o que faz com que percamos o real valor das relações.

Contudo, há o outro lado, das boas coisas, de curtir os momentos simples, de valorizar o que de fato interessa. Os personagens já são vividos (na faixa dos cinqüenta anos), possuem trabalhos comuns, sem maiores pretensões, são discretos na sociedade, com famílias e problemas normais a qualquer pessoa, e protagonizam uma bela história, que recomendo com louvor.

 

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