Sobre políticos e suas propagandas

É preciso interessar-se pela política, buscar por candidatos que estejam de acordo com nossas idéias e princípios, estar ciente de seus currículos, etc. Isso é básico. Somente num país como o nosso – bom do pé e ruim da cabeça – com uma educação defasada e em que uma eleição torna-se uma disputa com ares esportivos para não se entender este princípio básico de uma civilização.

Dito isso, o foco do meu texto é mais prático, mais palpável a todos nós, certamente fruto da total desilusão quanto à classe política viciada que se beneficia das entranhas do poder, tal qual faz um tumor maligno impregnado no organismo de um desafortunado que morre em uma fila de hospital.

Há muitas semanas torço para que passe de uma vez o período eleitoral, pois se tornou uma tarefa absurdamente desagradável circular por qualquer espaço que esteja fora de nossas próprias casas. A poluição visual causada pelas malditas placas, faixas, cavaletes de candidatos é agressiva, insuportável, cansativa.

A utilidade que vejo dessa propaganda toda é servir, quem sabe, de metáfora para o perfil e a moral da própria classe política: suja, desagradável, pegajosa, que só aparece de quatro em quatro anos.

Outro dia, dirigindo, vi na beira da estrada um sujeito instalando plaquinhas com faixas de candidatos. Impressionou-me a empolgação do indivíduo, parecia que ele estava “mudando o Brasil”, “salvando a nação”, cumprindo um feito épico. Uma ova!

No final de semana, vendo mais uma vez a quantidade absurda de cartazes com rostos sorridentes de candidatos, não pude deixar de ter uma leve náusea.

Eu só enxergo nas caras deslavadas o desejo por garantir o seu futuro, o sonho de tirar a sorte grande, de receber um salário gordo, muitos benefícios e a chance de encher os bolsos de modo sorrateiro, avalizando o futuro dos netos e tendo um lugar de honra num quadro pendurado na parede da mansão da família.

Sua verdadeira preocupação são as costuras para a próxima empreitada eleitoral. No mais, só vejo a sede pela picaretagem.

O sorriso de bicheiro, a lata trabalhada no photoshop… apenas consigo pensar na ansiedade deles em se dar bem na vida, com base na lábia que precisam despejar agora, mas que vale o esforço, pois depois é só questão de sumir por quatro anos e curtir a vida, os louros, os puxa-sacos, a fortuna e os meandros do poder – um prêmio cobiçado concedido por um país burro e sem vergonha ao picareta de nível maior: o político brasileiro.

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