O aguardado disco solo do baixista Nathan East

October-2013Já comentei outras vezes de um certo cansaço que tenho hoje em ouvir alguns discos de música instrumental, como jazz, fusion, etc. Talvez  isso se deva ao fato de eu já ter escutado muito, como parte obrigatória da minha formação musical, o que acarretou uma certa previsibilidade destes estilos, que muitas vezes apresentam temas feitos somente para impressionar ouvidos de músicos, sem que isso seja garantia de haver alguma emoção na composição, tampouco de ser agradável de ouvir.

Contudo, minha busca constante por música que traga inspiração continua em todos os estilos que eu gosto, inclusive no jazz.

E nestes dias estou completamente imerso no disco solo do baixista Nathan East, lançado há poucos meses. Ele sempre foi uma inspiração, um músico com uma linguagem pop de condução e fraseados da qual sempre fui fã e de onde sempre busquei influências.

Só pra lembrar, Nathan East tocou em vários discos e shows de Phil Collins (é co-autor do hit “Easy Lover”), fez turnês com Peter Gabriel, gravou baixos icônicos como o da canção “Footloose”, de Kenny Loggins, ficou conhecidíssimo como sideman de Eric Clapton a partir dos anos 90 e mais recentemente foi alçado ao topo da música pop mundial por ser baixista do ultra premiado e elogiado Daft Punk.

Sim, as linhas de baixo dançantes, fundamentais para todo o groove de Random Access Memories são do grande Nathan East.

Pois do alto de seus 58 anos de idade e com uma carreira brilhante, sempre acompanhando artistas do alto escalão, somente neste ano ele lançou seu primeiro trabalho solo. E porque considero este disco melhor que o de tantos outros instrumentistas?

Primeiramente, porque mesmo Nathan East sendo um músico virtuoso e cheio de conteúdo pra lançar aos ouvidos do mundo, ele não é exibicionista. Nada daquela necessidade incontida de ter que esfregar notas e notas na cara de quem está ouvindo.

Ele prioriza a sensibilidade e o groove neste seu disco. É agradabilíssimo de se ouvir, mesmo para quem não é tão íntimo de música instrumental. Aliás, é um exagero chamar de disco instrumental, já que várias faixas são cantadas por músicos que fazem participações especiais – entre eles, Eric Clapton, que interpreta “Can’t Find My Way Home” num falsete que quase deixa sua voz irreconhecível e que ficou lindo na canção.

Dentre os vários destaques, cito a faixa “101 Eastbound” (música que é uma das mais conhecidas do grupo instrumental de Nathan de longa carreira, o Fourplay). Ela abre o disco, com alguns sons exteriores, e inicia como uma bossa nova – o que ficou perfeito ao tema – para logo adiante cair na levada funk da versão original.

O disco tem conteúdo para se ouvir inúmeras vezes, e ele é agradável para tanto. A elegância, o som e o groove de Nathan East são altamente convidativos para se apreciar este grande trabalho de um músico tão importante. Cada vez mais eu sou fã e me orgulho de toda influência que absorvi dele ao longo dos anos.

Pra fechar, “Daft Funk” é das melhores faixas do álbum e uma grande sacada de Nathan. Numa clara referência aos seus amigos robôs e à música que fizeram tomar conta do mundo ano passado, é um tema dançante, com melodia marcante e que poderia claramente passar como uma composição do Daft Punk.

Abaixo o clipe, no maior estilo.

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