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Filme: “Relatos Selvagens”

relatos-salvajesAssisti ao filme “Relatos Selvagens”, que concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Pode parecer exagero, mas, no momento, há poucas coisas melhores no mundo da sétima arte do que o cinema argentino.

Compará-lo com o brasileiro é quase uma comédia (tão ruim quanto as que se fazem por aqui – com o perdão do trocadilho ocasional).

Clint Eastwood disse certa vez que, para ele, interessa poder contar boas histórias através dos filmes.  E sempre que assisto a algum filme vindo do país do onipresente Ricardo Darín, saio com essa sensação, de que vi uma boa história sendo contada.

“Relatos Selvagens” é um soco na cara, no estômago… faça a sua escolha. Drama, humor negro… são seis histórias independentes, contadas uma após a outra – sendo que os créditos iniciais aparecem apenas após a primeira história já ter deixado o espectador com cara de abobado na cadeira.

Em suma, os relatos apresentam pessoas comuns que chegam a limites de raiva, de repulsa, de atitudes impensadas, de vingança e violência após viverem situações extremas de estresse ou traumas que de uma hora para outra caem em seu colo. O mais impressionante é que são todas situações absolutamente reais, comuns, que podem até fazer você repensar algumas atitudes – embora no filme elas sejam levadas aos limites mais extremos.

Contudo, é um filme de tanta qualidade, tão coeso, mesmo contando histórias independentes entre si, que me faz ter vontade de assisti-lo outras vezes mais. Ele não é óbvio, de redenção, finais felizes ou qualquer circo armado que se vê em filmes menos cotados de Hollywood.

Você meio que torce por todos os personagens porque, embora haja extremas explosões psicológicas e comportamentais, acontece uma identificação com as situações desafortunadas que acontecem a eles.

É dirigido por Damián Szifron, tem produção de Pedro Almodóvar, trilha sonora do maravilhoso Gustavo Santaolalla.

Trailer:https://www.youtube.com/watch?v=g4DCVJF1RbA

A vida de Pablo Escobar nas telas

Cena da série televisiva

A vida do mega traficante colombiano Pablo Escobar está indo para as telas através da série “Escobar, el patrón del mal”, transmitida pela Caracol Televisión.

O assunto sempre foi tabu na Colômbia devido à complexidade dos negócios e à crueldade das ações de Escobar, morto em 1993. Trata-se da primeira produção de grande envergadura que usa abertamente o nome do traficante, que chegou a declarar guerra ao Estado colombiano e que é acusado de ter sido responsável direto por ao menos 4 mil mortes. Inúmeras famílias tiveram familiares mortos e carregam consigo um trauma permanente em relação ao tema.

Tido como inimigo declarado dos EUA e da Colômbia, em Medelín, Pablo Escobar era protegido por uma parte da população pobre, pois ajudou muito na melhoria de suas condições de vida, sendo até responsável pela construção de estádios de futebol e por apoiar os times da cidade, além de distribuir dinheiro entre os menos favorecidos que, em troca, escondiam informações das autoridades.

Pablo Escobar

Com estreia em junho, a série exibe a trajetória do criminoso durante os anos 80 e 90, desde seu início como contrabandista de cigarros até seu auge como rei do narcotráfico colombiano, quando foi apontado pela revista Forbes como sétimo homem mais rico do mundo e sua organização, o Cartel de Medellín, chegou a faturar cerca de 30 bilhões de dólares por ano.

O seriado é baseado em uma pesquisa que durou anos e no livro La Parabola de Pablo, do ex-prefeito de Medelín, Alonso Salazar. Com mais de 1.300 atores e 450 locações em Miami, Bogotá, Medellín, e Caribe, “Escobar: el patrón del mal” é uma das produções mais ambiciosas na história da emissora colombiana Caracol.

Fonte: BBC Mundo

Filme: Maria Cheia de Graça

Maria Cheia de Graça é um filme colombiano, de 2004 – que marca a estréia do diretor Joshua Marston e da atriz Catalina Sandino Moreno –  e torna-se imperdível por ter uma grande história, um roteiro original e realista, além de uma grande atuação de sua protagonista.

Catalina Sandino interpreta Maria, uma garota de 17 anos que mora num vilarejo pobre de Bogotá e que ao lado de sua amiga, Blanca, trabalha em uma plantação de rosas, preparando-as para a venda. É um ofício pouco rentável e tedioso.

Sua vida fica conturbada a partir do momento em que descobre estar grávida e é demitida de seu emprego. A oportunidade de ganhar dinheiro e ter um futuro melhor surge através de um convite para que trabalhe como “mula”, levando drogas em seu estômago, da Colômbia para os EUA.

A história é envolvente, desde seu princípio, e não há como não se solidarizar com Maria. Sua dura realidade, seu compromisso em sustentar sua mãe, ajudar a irmã e garantir alguma esperança ao seu futuro filho não são aspectos gratuitos da trama. A fotografia e as atuações são por demais reais genuínas, sem vícios e caricaturas tão comuns no cinema brasileiro.

Todos os detalhes da dolorosa preparação da “mula” são retratados; os momentos de tensão – como quando ela tem de se deparar com autoridades – são de tirar o fôlego.  Você jamais esquece do drama de Maria, que sem perspectivas, tenta garantir a sua sobrevivência e de sua família.

Um filme indispensável.

Trailer: