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Entre CD’s e fitas K7

Sempre se diz que os primeiros sintomas de que estamos envelhecendo se manifestam quando passamos a recordar coisas do passado com certo ar nostálgico. Cabe aqui uma observação: sim, estou envelhecendo; e sim, acho que desde minha adolescência tenho saudade de coisas que não vivi. Aliás, isso é mais comum do que parece, principalmente na minha geração, daqueles que estão em volta dos 30 anos.

Vivemos nossa infância nos anos 80, adolescência nos 90. Ou seja, um período de muitas transformações. Nossos pais viveram o período da ditadura, os anos 80 foram de muitas mudanças – políticas e culturais. Internacionalmente, o mundo também se transformava. Queda do muro, fim da guerra fria, EUA invadindo o Iraque pelos mesmos motivos que os levam a continuar fazendo isso até hoje.

Pegamos o auge do sucesso das primeiras bandas de rock nacionais, ao mesmo tempo em que vimos surgir pragas bregas e o declínio (naquele momento) de totens da MPB.  As rádios FM eram então o principal veículo para que tomássemos conhecimento do que estava rolando lá fora. Foi assim, por exemplo, que o grunge chegou aqui.

Como se vê, foi um período muito louco, de muitas transições.

Há dois objetos que simbolizam muito bem o que foi este período, fazendo a ligação entre o que havia antes e o que veio depois: a fita K7 e o CD. Agora posso justificar que não se trata de um texto nostálgico, mas sim de constatação e… ok, é sinal de envelhecimento.

Eu vi surgir o Compact Disc. Foi uma revolução absurda aquele disquinho. Cresci tendo em casa os bolachões de vinil com suas capas enormes, verdadeiras obras de arte; agora, tínhamos tudo disponibilizado ali, em som cristalino, numa mídia tão compacta e surpreendente! Pois é, vi o nascimento e o sepultamento do CD, apesar de ele continuar até hoje nas lojas e ter se tornado objeto cult. Sinceramente, me tocaria muito receber um cd original de presente hoje, ou mesmo comprá-lo. Acho que o CD é o objeto mais condizente com essa nossa geração.

Já com a fita K7 tenho uma relação mais sentimental. Eu passei minha infância e adolescência comprando e enchendo dezenas e mais dezenas delas de coletâneas musicais. Enquanto fazia minhas coisas, o rádio estava ligado e sempre havia uma fitinha pronta, em ponto de bala para que, quando tocasse um som bacana, eu pudesse apertar o REC. Tornou-se um hábito, um hobby. Particularmente, acho que devo muito à fita K7 pela minha formação musical.

Um hábito que herdei daqueles tempos para os dias de hoje é o de montar coletâneas temáticas em pastas de pendrive. Se você ainda não fez, recomendo com louvor. É um exercício muito divertido montar playlists. Escolher músicas que tenham um ponto em comum, seja o tema, seja a vibração, o clima, o ritmo, estilo, banda… Além do mais, é uma maneira de buscar informações acerca de artistas e gêneros.

Mas confesso que nada nunca irá substituir aquela adrenalina de esperar rodar a música desejada e apertar o REC e ter a sensação maravilhosa de ter ‘capturado’ aquele som para poder ouvir a qualquer hora.

Coisa típica dessa minha geração, que ficou nessa sensação de ‘entre uma coisa e outra’.

Somos crias daquele clima de pós-ditadura e início da democracia (coisas que mais ouvimos falar do que vivemos), de auge do pop brasileiro e surgimento de breguice intragável, de fim da guerra fria e consolidação do neoliberalismo voraz…

Crescemos em meio a LP’s, fitas K7 e CD’s.

Azeitonas, cerejas e afins

Há traços peculiares e muito interessantes que diferenciam as pessoas das outras. Não estou falando de cor, credo, sexo, opção política… tampouco de caráter, nível de estudo, intelectual ou social. Falo de diferenças mais amenas à primeira vista, mas que, ao meu ver, mostram que estamos vivos. Poderia dizer que são sintomas de vida, pequenas preferências que apenas nos saltam aos olhos – ou a qualquer outro sentido – por um acaso do dia-dia, e que podem nos causar imenso regozijo, bem como as vezes constituem os pequenos sulcos que nos diferenciam.

Por exemplo: sempre acho que o mundo se divide entre as pessoas que adoram azeitonas e aquelas que as odeiam. Eu ergo a bandeira do primeiro grupo. E ergo mesmo! Um vidro de azeitonas na prateleira do supermercado sempre é uma bela visão. Um vidro de azeitonas na geladeira em casa, é facilmente consumível como se fora um pacote de biscoitos. Azeitona até morrer!

Outro divisor da humanidade: cerejas! Há quem preste reverência ao fruto encantadoramente rubro… eu sou destes. Não entendo quem não as aprecia. Como ir ao bufê de sorvetes e  não dividir o peso final entre o próprio sorvete e cerejas… muitas delas?!

Além da divisão imposta pela preferência ou não por cerejas e azeitonas, há outras peculiaridades que certamente nos tornam mais humanos e que provavelmente não nos separam tão seriamente como os alimentos citados antes (não quero aqui semear a discórdia entre facções pró e anti-azeitonas!). São alguns cheiros que não nos damos conta de existirem, até que surjam, do nada, à nossa frente. Cheiro de terra recém molhada pela chuva! Alguém discorda de que é uma das melhores sensações existentes, e que também serve para de vez em quando dizer: “sim, você está vivo e aí está a prova”? O cheiro de terra molhada sempre traz uma sensação de conforto… talvez para você traga outras reminiscências, não importa. Não há como negar que é uma das melhores coisas poder sentir isto.

Outro cheiro, que pode ser mais restrito a alguns e que talvez muitos de vocês não tenham tido oportunidade de sentir: cheiro de lenha queimando no fogão, no inverno. É incrível como traz uma sensação de conforto, aconchego. Outro cheiro, mas que acredito ser mais dividido em sua preferência, é o de palito de fósforo apagando. Adoro esse cheiro! E você? E à noite, quando falta luz? É  chance de juntar o cheiro do fósforo ao da vela sendo apagada – após a luz voltar, claro! Todas preferências que nos diferenciam, mas que nos tornam mais humanos, mais vivos, e que de uma forma ou outra, tornam as nossas vidas mais parecidas.

Tudo bem, ainda temos a questão das azeitonas e das cerejas que pode vir a criar animosidades, tamanha a forma como divide a humanidade. Bom, já vou dizendo de saída: eu ergo a bandeira em favor das duas!

O Dezembro

O final de ano, como era de se esperar, acaba sendo cruel no que diz respeito à agenda de compromissos. Infelizmente, o primeiro a sentir minha ausência é este blog. Mas são bons e importantes os motivos que me fazem relegar um pouco este espaço aqui. Agenda de shows cheia, ensaios preparativos para o recital de final de ano da escola de música, o próprio recital, jantar com os colegas da faculdade… enfim. Todas são coisas gratificantes, apesar de acontecerem todas de uma só vez.

Na medida do possível, vou atualizando os posts, porém, com uma frequência menor.

Futebol pra curar

Post desimportante, porém, necessário.

Me sinto na necessidade de mencionar algumas palavras sobre futebol. Mas não para tecer opiniões, tampouco para manifestar paixões clubísticas e tais. Ok, nem todos gostam do esporte do povo, nem todos são torcedores ferrenhos, nem todos se emocionam ou se empolgam ao sentar em frente a uma tv para assistir 90 minutos de bola rolando – isso sem contar que muitas vezes, aos olhos dos mais distraidos, o jogo pode parecer modorrento, chato, e causar impaciência (ok, mesmo para os aficcionados existem jogos realmente enfadonhos).

Ontem tive um dia ruim, em meio a uma semana que também não era boa. Contudo, um jogo importante do meu time, na noite de ontem, permeou meus pensamentos durante o dia, lotando-me de ansiedade e nervosismo. Querendo ou não, tirava minha mente das preocupações e dos abacaxis. Isto tudo antes…

Pois com o acontecer do jogo, aqueles problemas todos se esvaem. Naquelas horas que circundam o jogo, parece que tudo fica mais tragável. Antes do grande embate, durante, depois… Hoje, por exemplo, tudo continua com a aura do futebol, do time, da paixão.A realidade continua aí, batendo à porta, dando as caras, claro. Mas aquele momento do futebol, de se envolver com o jogo é um acontecimento sagrado. É o momento de, em caso de comemoração, abraçar a primeira pessoa que estiver ao lado. É o momento, em caso de insucesso e derrota, de proferir impropérios pouco recomendáveis, impublicáveis na verdade.

Seja qual for o resultado que aconteça, vejo o futebol como um momento de catarse.

Já se disse que “o futebol é o ópio do povo”. Concordo plenamente com a afirmação. Só o futebol é democrático ao ponto de juntar numa mesma sensação o mais modesto dos cidadãos com o mais pomposo. Quem não aprecia o jogo de bola, não entende. Nunca entenderá.

Para alguns pseudo-eruditos (ou mesmo eruditos), pode parecer algo menor, inferior. Pois saibam estes que, grandes gênios – das mais diversas vertentes – já torceram ou continuam torcendo loucamente pelos esquadrões que representam as cores de seus corações.

Este texto não é para exaltar a paixão por um clube. Você, leitor, que torce para seu time do coração, com certeza se vê nestas mesmas situações que eu acabo de relatar. Já se você que lê é indiferente ao futebol, deve estar sacudindo a cabeça negativamente neste momento, sem compreender toda esta ode ao esporte bretão.Tudo bem, tudo bem. Há tantas coisas (ditas) boas e interessantes das quais eu também não gosto.

Para terminar, mais uma frase, cujo autor desconheço, mas que sintetiza perfeitamente o que estou falando: “Das coisas menos importantes da vida, o futebol é a mais importante”.

Perfeito!

Reclames

Quem de alguma maneira me conhece ou, então, acompanha os esporádicos devaneios cambaleantes contidos nas linhas deste blog, com certeza ficaria surpreso se aqui eu confessasse ser um telespectador assíduo de novela… Bom, calma aí que não trago-lhes surpresa alguma. Sim, eu tenho defeitos terríveis, mas ser noveleiro não é um deles. Eu não gosto de novela, não assisto novela, definitivamente.

E como não há nada melhor no mundo do que falar mal das pessoas, dos seus comportamentos ou das situações que a vida nos proporciona, lá vou eu desancar a reclamar, mais uma vez, daquilo que me incomoda.

Novelas…

Vem cá, alguém acredita nelas? Não, não… óbvio que sei que se trata de uma mera obra fictícia, ok? Assim como uma peça de teatro ou um filme. Mas pombas! Eu sou cinéfilo total! Sou assíduo da sétima arte, acho que o cinema é das maiores invenções da humanidade. Sou do tipo que, ao final de um bom filme suspiro e digo, em vóz alta ou para mim mesmo: “como é bom assistir um belo filme!” Ou seja, eu acredito no roteiro fictício dos filmes, claro. E sem eles minha vida teria bem menos graça.

No entanto, o x da questão aqui são as novelas. Ao meu ver, a minha aversão se deve a um conjunto de fatores. Os atores e atrizes são fracos, em sua maioria. Hoje, como é sabido, qualquer carinha bonita vira protagonista em rede nacional. Os roteiros então… são umas pérolas. Não entendo como alguém pode se sentar em frente a um televisor, perder durante toda a sua vida aquele tempo, religiosamente todos os dias… para assistir sempre à mesma história! Não, e o melhor é ouvir algumas “personalidades” enaltecendo os autores/diretores dos folhetins. É dose pra mamute! Mas enfim, cada um faz do seu tempo o que bem entender… Porém, como a intenção aqui é mesmo chiar/reclamar, eu não resisto à tentação. E repito: não acredito em novela. Não consigo acreditar num pseudo-ator brasileiro da mesma maneira que acredito num ator de verdade, que faz filme de verdade.

Sou um chato abobado. Se vejo uma tv sintonizada numa novela, e por acaso assisto acidentalmente um trecho, eu me esforço para não rir. Sério! Eu acho engraçado e só. Engraçado sem ter graça alguma.

Bom… já reclamei.

Era isso.

Reforma para/pára o entendimento à primeira leitura

Nestes tempos de Copa do Mundo, abro um site de notícias esportivas e me deparo com a seguinte manchete: ” ‘Vuvuzelaço’ para a África do Sul”.

Agora pergunto: alguém sabe, assim, lendo apenas a manchete, o quê exatamente ela quer dizer? O “para” é verbo ou preposição?

Mais uma vez fico pasmo com essa ridícula reforma ortográfica que nos impuseram. Eu, um pouco por teimosia, continuo acentuando o “para” quando se trata de verbo. Acho que é um desserviço ao leitor não fazê-lo. Ok, todas as línguas evoluem. Nosso dicionário está em constante modificação – o que, aliás, é muito interessante. Contudo, é bem diferente de, simplesmente, abolir sinais gráficos que serviam/servem para facilitar a vida do interlocutor.

Mas claro: para quê facilitar se dá para complicar?!