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Comercial uruguaio comemora classificação e brinca com o fantasma da copa de 50

Para o bem geral do futebol, a seleção uruguaia confirmou presença para a Copa do Mundo do Brasil. E, sem perder tempo, os celestes já lançaram este ótimo comercial, em alusão à sua classificação e ao eterno fantasma de 50, que assombra os brasileiros.

Baita sacada!

Tocando a vida

Nas últimas semanas andei um pouco afastado do blog e da internet de modo geral. Acho que quando alguém se distancia das redes sociais é porque a vida real está-lhe tomando o tempo. Ao menos é o que vem acontecendo comigo. É saudável, exceção feita ao Debaixo do Chapéu. Um blog já com alguma data é como um filho, que não pode ser negligenciado ou largado às traças.

De qualquer maneira, acho salutar esse tempo que por vezes damos à internet, principalmente redes sociais. Nem sempre o que se lê por aí é interessante; nem falo das asneiras assumidas que dominam todo esse universo – pra tudo que há de desagradável dá-se um block e pronto. Ou se garante ao menos algumas risadas.

Fazendo parte do meio musical, é bem bom poder ficar um pouco afastado do convívio com a classe no mundo virtual. Cansa.

Enquanto vou dando sequência às mudanças e às novidades que, enfim, me mostram também que estou vivo, vou continuar escrevendo menos. Contudo, logo estarei de volta com o curso normal do blog.

Dito isto, continuemos enaltecendo a felicidade e o que há de bom em nossa volta, que definitivamente reside nas pequenas coisas.

O filme sobre Elis Regina

Segundo o jornalista Ancelmo Gois, em sua coluna no jornal Diário de S. Paulo, Nelson Motta começou a escrever o roteiro para o filme sobre Elis Regina, que será produzido por Paula Barreto e dirigido por Hugo Prata que fará a sua estréia em longas.

Os filhos João Marcelo Bôscoli, Maria Rita e Pedro Mariano já autorizaram o projeto, que deve ter a atriz Andreia Horta no papel de Elis.

Ainda está tudo num estágio embrionário, mas creio que o início é promissor. Nelson Motta, autor de “Noites Tropicais” e “Vale Tudo: O som e a fúria de Tim Maia” – obras literárias fundamentais da música brasileira – é um exímio conhecedor de valiosos detalhes da formação da MPB e da própria vida de Elis Regina. Ele foi testemunha ocular do surgimento e da vida desta que é a maior cantora brasileira de todos os tempos.

Paul McCartney será atração na abertura das Olimpíadas

Foi o próprio Paul quem disse à emissora de rádio BBC 5 Live que ele deverá encerrar a cerimônia de abertura dos jogos olímpicos, que acontecem de 27 de julho a 12 de agosto deste ano.

Desde o ano passado já rolavam rumores de sua participação no evento, que irá atrair os olhares de todo o mundo.

Convenhamos que é covardia o leque de atrações de alto escalão que os ingleses possuem para um evento deste tamanho. Simplesmente, algumas das maiores lendas vivas da música mundial são daquele país!

E se fosse por aqui? Aliás… será em 2016. Pensando negativamente, as atrações consistiriam nas porcarias efêmeras do momento, certamente. Mas vendo por um lado positivo, somos um país musical, temos ampla riqueza nesta arte. Porém, nossa burrice e nosso imediatismo impedem que haja a valorização de nossa verdadeira arte.

Melhor pensar na abertura dos jogos de Londres.

Google homenageia o criador do Moog

Hoje o Google mais uma vez torna sua página uma diversão, ao apresentar um doodle em forma de sintetizador.

O motivo é homenagear Robert Moog, o inventor do lendário sintetizador/órgão Moog, instrumento que ajudou a abrir novas possibilidades na música através de seu uso por artistas como The Beatles, The Doors, Emerson, Lake & Palmer, Steve Wonder, Yes  e Kraftwerk.

Afinal, quem é Paul McCartney?

Qual não foi meu susto ontem ao me deparar com a história do “Who is Paul?” – frase que surgiu de alguns tweets de indivíduos (certamente não eram intelectuais de alta estirpe) que ao comentarem a transmissão do Grammy simplesmente perguntavam quem era aquele coroa apresentando-se no palco da cerimônia.

Ok, ok. Embora minha primeira reação ao me deparar com alguém que não conhece Sir Paul McCartney seria sair correndo em disparada para qualquer direção, até tento entender que existem pessoas que não têm a menor ideia de quem seja o maior artista pop vivo – a geração é outra, a informação consumida por estes seres deve ser um tanto peculiar, há as teorias de abdução extraterrestre. Enfim, vários motivos podem levar alguém a simplesmente desconhecer aquele que, junto de John Lennon, tornou-se legenda para a expressão “parceria musical”.

No entanto, não sei se o que mais me impressiona nisto tudo é o desconhecimento em relação a McCartney ou o orgulho em atestar a ignorância. Ficou  muito claro um quê de “mas que diabos é Paul McCartney” (“Who tf is Paul McCartney?”). Ou seja, não há sequer um autopudor, um senso de autopreservação, uma vergonha de assumir em público a total ignorância.

O sujeito entra no twitter para comentar um evento de… música. O mesmo desconhece Paul McCartney e assume isso como sendo uma lei universal. Não é sequer capaz de romper a linha da preguiça e fazer, na surdina, uma buscazinha no Google nosso de cada dia para, afinal de contas, descobrir quem é aquele coroa inglês cantando apenas uma certa canção chamada “Golden Slumbers”.

Alguns dirão que é o sinal dos tempos. Tudo bem, mais uma vez reitero que não há um mandamento que obrigue alguém a conhecer Beatles. Mas a democracia da internet trouxe consigo, além do acesso livre à informação, a democracia do culto deslavado à ignorância. O cara bate no peito e declara com o maior orgulho a sua falta de informação. É como dizer “como pode esse tal de Paul não ter se apresentado a mim? Então ele não é bom o bastante”.

Ter orgulho em assumir o desconhecimento de forma deslavada e até debochada gera um conforto em relação à desinformação; não há aquele bom constrangimento que motiva a busca pela solução ou, pelo menos, saber do que se está falando.

Desconhecer é humano e o primeiro passo para buscar informação e evolução. Ter orgulho disso, é caminho certo para a pobreza de espírito.

Na verdade, estou rindo de tudo isso. É, certamente, o que Paul faria.

Grammy consagra Adele

Na noite de ontem aconteceu a entrega do Grammy 2012 – maior premiação do gênero. Ainda que a festa estivesse sob o clima de surpresa diante da recente morte da cantora Withney Houston (três vezes vencedora de Grammy de melhor cantora) tudo correu normalmente, culminando com a premiação consagradora de Adele, que tornou-se um fenômeno mundial no último ano.

A edição deste ano laureou com seis prêmios a música e o talento inquestionável de Adele, uma cantora que, ainda muito jovem, tornou-se uma estrela da música pop mundial, graças à sua música, sua impressionante capacidade de cantar e, claro, por sua forte personalidade. O vídeo abaixo mostra sua apresentação durante a cerimônia, apoiada por uma grande banda e um grupo de backing vocals; sempre me fascina a maneira como ela canta, a forma como torna isto algo aparentemente fácil e natural.

Três meses após uma cirurgia nas cordas vocais, Adele mostrou que está recuperada e começou a cantar “Rolling in the Deep” direto pelas notas agudas do refrão, pra não deixar dúvidas.

Noite absolutamente triunfal para o maior nome do pop do momento. Vida longa à sua carreira!

Abaixo os indicados e vencedores nas principais categorias:

Álbum do Ano

21 – Adele
Wasting Light – Foo Fighters
Born This Way – Lady Gaga
Doo-Wops & Hooligans – Bruno Mars
Loud – Rihanna

Canção do Ano
“Rolling In The Deep” – Adele
“All of the Lights” – Kanye West, Rihanna, Kid Cudi and Fergie
“The Cave” – Mumford & Sons
“Grenade” – Bruno Mars
“Holocene” – Bon Iver

Gravação do Ano
Adele – “Rolling In The Deep”
Bon Iver – “Holocene”
Bruno Mars – “Grenade”
Mumford & Sons – “The Cave”
Katy Perry – “Firework”

Artista Revelação
Bon Iver
The Band Perry
J. Cole
Nicki Minaj
Skrillex

Melhor Álbum Pop
Adele – 21
Cee Lo Green – The Lady Killer
Lady Gaga – Born This Way
Bruno Mars – Doo-Wops & Hooligans
Rihanna – Loud

Melhor Performance Pop Individual
Adele – “Someone Like You”
Lady Gaga – “You and I”
Bruno Mars – “Grenade”
Katy Perry – “Firework”
Pink – “F***in’ Perfect”

Melhor Performance Pop por uma Dupla ou Grupo
Tony Bennett & Amy Winehouse – “Body and Soul”
The Black Keys – “Dearest”
Coldplay – “Paradise”
Foster The People – “Pumped Up Kicks”
Maroon 5 e Christina Aguilera – “Moves Like Jagger”

Melhor Performance de Rock Individual
Foo Fighters – “Walk”
Coldplay – “Every Teardrop Is a Waterfall”
The Decemberists – “Down By the Water”
Mumford & Sons – “The Cave”
Radiohead – “Lotus Flower”

Melhor Performance de Hard Rock/Metal
Foo Fighters – “White Limo” 
Dream Theater – “On The Backs of Angels”
Mastodon – “Curl of the Burl”
Megadeth – “Public Enemy No. 1”
Sum 41 – “Blood In My Eyes”

Melhor performance de Rap
“Otis” – Jay-Z & Kanye West
“Look At Me Now” – Chris Brown, Lil Wayne & Busta Rhymes
“The Show Goes On” – Lupe Fiasco
“Moment 4 Life” – Nicki Minaj & Drake
“Black And Yellow” – Wiz Khalifa

Melhor Álbum de Rock
Foo Fighters – Wasting Light
Jeff Beck – Rock ‘N’ Roll Party Honoring Les Paul
Kings Of Leon – Come Around Sundown
Red Hot Chili Peppers – I’m With You
Wilco – The Whole Love

Melhor Álbum de Pop
“21” – Adele
“The lady killer” – Cee Lo Green
“Born this way” – Lady Gaga
“Doo-wops & hooligans” – Bruno Mars
“Loud” – Rihanna

Das férias

Olá, caríssimos! Estou passando aqui para dar um sinal de vida, em meio às férias. Algumas abstinências desse período mostram o que nos faz mais falta: saudade do meu pago, o Rio Grande. Saudade das pessoas queridas com as quais convivo, mesmo que apenas pela internet. Aliás, saudade também dela, a internet, até do computador – onde fica bem mais fácil de escrever, o que não é o caso deste texto, surgido das teclas do telefone celular. 

Não sou frequentador de praia, embora até ache bacana. Não consigo conviver muito tempo nesse clima de descompromisso. Acho que dar um tempo pra cabeça é muito válido, contudo, o permanente ambiente de férias e o astral exposto e sem privacidade da praia não foram feitos para mim. na verdade, eu que não fui feito para tal. 

Ranzinza incorrigível.

Abraços, meus caros. Até logo mais.

Dias lentos e Floyd que não se reunirá

Como não poderia deixar de ser, esta época do ano é sempre bem devagar.  A vagareza acaba espalhando-se também pro blog, embora a vida, o mundo e as coisas continuem a acontecer. Dito isto, mesmo em ritmo mais lento nesta semana e na próxima, vou na medida do possível atualizando as postagens por estas bandas.

Para não deixar o barco à deriva, é necessário dizer que a informação veiculada ontem, aqui e em sites pelo mundo, de uma possível reunião do Pink Floyd para o show de encerramento das Olimpíadas de Londres já foi terminantemente desmentida pelo guitarrista (e sempre menos favorável a estas reuniões) David Gilmour através de sua assessoria de imprensa.  Em comunicado ao semanário inglês NME, o representante do músico disse que tudo não passa de especulação do jornal.

– David Gilmour pode confirmar que não há verdade nas recentes especulações da mídia sobre o Pink Floyd se reunir para uma apresentação nas Olimpíadas de 2012 em Londres.

Ok, nós fãs incondicionais do Floyd já nos acostumamos aos constantes desmentidos sobre possíveis reuniões, afinal, também nunca deixamos de sonhar com isto.

Se é para sonhar, quem sabe nos shows que Waters fará aqui no Brasil em março próximo não apareça lá pelas tantas sobre o muro um senhor grisalho, já com ralos cabelos, barriga um tanto saliente, camiseta preta surrada daquelas que se usa pra fazer reforma na casa no fim de semana, empunhando sua Fender Strato, nos deixando confortavelmente entorpecidos em um mágico e inesquecível solo em “Comfortably Numb”?

Natal é coisa de hemisfério norte

Não gosto de Natal. Todo ano a chegada do dezembro me é desagradável. Este ano, vez ou outra ao final de novembro dava-me conta da iminência do mês derradeiro do ano. Tentei ignorar, consegui nos primeiros dias. Mas chega um momento em que não há escapatória: o tal clima natalino toma conta do comércio e do astral das pessoas, fica todo mundo louco e na pilha típica da época. Resumindo, ninguém passa incólume ao Natal.

Colocado isto, vamos combinar: há algo mais deslocado de uma cultura do que o Natal no contexto  brasileiro? Veja bem, nascimento de Cristo e as crenças e religiosidades de cada país a parte, não é a isto que me refiro. Falo é de todo o entorno proveniente do imaginário comercial do período.

Comecemos pelo personagem principal, sim o bom velhinho. Desde quando um sujeito vestido com uma roupa quente, de touca, barbudo pra caramba, de botas e viajando num trenó puxado por renas (?!) pode combinar com um país tropical, onde tudo já é verão nesta época, todos estão no bar ou na praia tomando uma cerveja, com poucas roupas, ouvindo não canções natalinas, mas música de fuzarca? Aquele Natal de neve, que passa na TV, é coisa de hemisfério norte.

O Natal no hemisfério sul deveria ter outro tom. Sei lá… um Papai Noel bonachão, de bermuda, camisa havaiana, chinelo de dedo, óculos escuros, reclamando das entregas que tem de fazer enquanto saboreia uma caipirinha, fuma um charuto e olha para as mulatas sambando em sua volta. Seria muito mais autêntico, não acham? Bom, ao menos os papais noéis do comércio me agradeceriam pela sugestão da nova indumentária e manual de comportamento mais verdadeiramente nacional. Esse negócio de neve, touca, roupa grossa… tudo muito elitista, muito esnobe, muito hemisfério norte.

Agora a trilha sonora. No Reino Unido e nos EUA, artistas destacados costumam gravar os tradicionais álbuns de Natal. Nomes do naipe de Elvis Presley, Nat King Cole, Frank Sinatra, Tony Bennett, Carpenters e  Jethro Tull já gravaram clássicos álbuns natalinos. Ok, aqui não se tem este hábito, o que é enfim uma dádiva. Pense em nossos pagodeiros, sertanejos e roqueiros adolescentes atormentando o Natal e o Papai Noel de bermuda  que gosta de mulatas se irritando com essa chatice. Esqueça, aqui não cola. Tudo coisa de hemisfério norte.

Por falar em música natalina, se há uma coisa que não combina nem com o nosso Natal, nem com o de qualquer outra civilização da face da terra é a Simone entoando  “entããão é Nataaaal”  todo maldito ano. Nada contra a moça, que ‘apenas’ destroçou a bela canção de John Lennon. Não é pessoal, não. Problema é que é intragável e prolifera-se como uma praga. Todo ano, quando sequer lembramos mais da Simone,  lá vem essa terrível música, que seria intragável em qualquer Natal do mundo. Inclusive lá naquele país onde o Papai Noel gosta de mulatas, bebe caipirinha e ouve samba.