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Chatices instrumentais de um lado, o maravilhoso jazz de Kyle Eastwood de outro

550Com o passar dos anos perdi um pouco da vontade de ouvir música instrumental – jazz, fusion, etc . Rolou certo cansaço, e isso não é demérito dos discos.

O músico tem por natureza, principalmente ao estudar, buscar sons menos comerciais, que destaquem o virtuosismo dos músicos. É uma maneira de estudar, é um caminho a ser percorrido, mas que muitas vezes cai num malabarismo um tanto gratuito, sem melodia ou um ritmo que seja realmente atraente. Resumindo: há discos de músicos feitos para músicos que, ao se ouvir a terceira faixa já se sabe tudo sobre o restante. E poxa vida, sem hipocrisia: há trabalhos nesses gêneros que são chatos. Chatos e gratuitos.

Ao fim, acabo ouvindo os antigos mestres de sempre. E muitas outras coisas, entre pop, rock e MPB.

Porém, na constante busca e avidez por ser surpreendido, encontrei uma música instrumental que me emocionou: o álbum chama-se “Metropolitain”. Quem? Kyle Eastwood. Sim, filho do cara, o grande ator e diretor Clint Eastwood.

Kyle Eastwood é um nome que descobri via meu interesse e minha idolatria pelo trabalho de seu pai. As trilhas sonoras de seus filmes sempre me emocionam muito, em conjunto, claro, com as suas divinas cenas. Passei a pesquisar e descobri que seu filho, Kyle, era responsável por grande parte da música de seus filmes, sobretudo aqueles lançados no novo século.

E eis que, para minha total satisfação e realização como instrumentista, descobri que, sim, Kyle é baixista. E um senhor baixista! Com seis discos lançados, seu som é calcado no jazz, no fusion e no pop; sendo seu pai um ardoroso fã e conhecedor de jazz, Kyle recebeu desde o berço a influência.

Contudo, acho que o convívio com um ambiente cinematográfico e o conseqüente caminho pela criação de trilhas sonoras, de alguma forma, fez com que o trabalho solo de Kyle saísse do lugar comum da maioria dos instrumentistas solo. Lugar comum e muitas vezes chato, onde impressionar com malabarismos vale muito mais do que sensibilizar através de notas.

E ao ouvir a música de Kyle Eastwood, me sensibilizei como há muito não acontecia em relação à música instrumental. Não vou enumerar questões técnicas, tampouco entrar em detalhes de bastidores ou rotular sonoridade. Eu digo que ele não faz questão de apresentar dezenas de solos ao longo do álbum, bem como não tem necessidade de esfregar compassos mega quebrados na cara de quem ouve.

Eu coloco seu álbum no som do carro e ouço do início ao fim. Esse é o maior indício de que se gosta de determinado disco.

Kyle Eastwood apresenta um cool jazz, um som altamente refinado, sensível, com belas notas, com uma ambiência cheia de classe, de esmero técnico com sentido, sem firulas.

Uma grande descoberta, uma influência das melhores para a inspiração.

 

 

Abaixo, performance ao vivo da faixa “Hot Box”, do álbum Metropolitain.

É a música mais acelerada, mais funk do disco, mas ainda assim, conserva um ar cool, econômico.

E na sequência a maravilhosa “Bold Changes”, segunda faixa do mesmo álbum.

Um belo tema instrumental de Mark Knopfler

Mark+Knopfler+Knopfler+and+his+DobroMark Knopfler – um dos meus heróis e maiores inspiradores na música – compôs várias trilhas sonoras para filmes.

Embora sua trajetória seja reconhecida pela bem sucedida carreira de sua banda, Dire Straits e, há quase 20 anos, tenha enveredado à carreira solo, Mark compôs algumas de suas melhores melodias nos álbuns de trilhas sonoras.

Certamente, algumas das músicas que Knopfler criou para filmes ficaram mais conhecidas do que os próprios.

Abaixo, um dos meus temas preferidos, “Smooching”, que Mark Knopfler compôs para o filme “Local Hero”.

 

 

 

O Segundo Grande Quinteto de Miles Davis

miles-davis-live-in-europe-quintet-300x226Miles Davis(1926 – 1991) é, provavelmente, o nome mais proeminente do jazz. É unânime a sua importância dentro da história da música e dos grandes instrumentistas que a arte já teve.

Foi um trompetista genial, de estilo vanguardista. Podia tocar dezenas de notas em poucos compassos, de maneira que parecia não fazer o menor esforço. Podia soar econômico nos momentos certos, quando então sua sonoridade cool e intimista vinha à tona. E, o mais importante: ele tocava as notas certas, fossem elas tortas ou não.

Miles foi fundamental em duas revoluções jazzísticas ocorridas nos anos 40: o surgimento do Bebop, no início da década e a criação do Cool Jazz, no final.

Apresentou ao mundo grandes músicos, como John Coltrane, integrante de seu primeiro quinteto, que apresentou-se durante os anos 50.

Contudo, uma das mais fantásticas contribuições de Miles para o jazz e, certamente, para a música mundial, foi a formação de seu segundo quinteto, no qual reuniu um inacreditável time de jovens e assombrosos músicos que, hoje bem se sabe, tornaram-se lendas do gênero, inspiradores dos melhores momentos que a música instrumental já teve.

O chamado “Segundo Grande Quinteto de Miles Davis”, formado no ano de 1964 contava com Herbie Hancock no piano, Wayne Shorter no saxofone, Ron Carter no contrabaixo e Tony Williams na bateria. Todos eles, sem exceção, fazem parte do seleto grupo dos maiores jazzistas da história.

E tocaram ao lado do cara certo: Miles, além de trompetista espetacular, era generoso – fazia questão de deixar espaço para o brilho dos músicos que o acompanhavam.72f1ee8d86aa64e6351966076649a4e1

O quinteto gravou cinco álbuns até o ano de 1968, mas o mais impressionante eram suas apresentações ao vivo. Graças às boas novas tecnologias, inúmeros vídeos do grupo estão disponíveis no Youtube. Mais bacana ainda é que o material de um de seus shows pela Europa naquele período está sendo lançado num Box de 3 cd’s e 1 DVD, pela Sony Music.

Nos vídeos do quinteto disponíveis na rede, chama atenção a simplicidade fria do cenário, composto somente por aqueles cinco músicos, seus instrumentos e o mais avassalador jazz rolando solto.

Sempre que o assunto é jazz, remeto meu pensamento – e minha preferência – a dois grandes momentos do estilo: o álbum A Kind of Blue e o Segundo Grande Quinteto de Miles Davis.

Sim, os dois expoentes contam com o gênio Miles Davis.

Abaixo, alguns momentos do Segundo Grande Quinteto de Miles Davis.

Som do dia #19 – “Cluster One” – Pink Floyd

pink_floyd_the_division_bell_front“Cluster One” é a faixa que abre o álbum The Division Bell, do Pink Floyd, lançado em 1994. A parceria entre David Gilmour e Richard Wright é um belíssimo tema instrumental bem ao estilo do Floyd.

É uma das minhas músicas preferidas daquele disco.

“Bird” – a trajetória de Charlie Parker no cinema

birdCharlie Parker foi um dos mais importantes músicos de todos os tempos. O jazz era seu reduto, sendo ele um dos precursores do Bebop (gênero jazzístico que imprime bastante dificuldade na sua execução, devido à rapidez do ritmo e suas constantes mudanças harmônicas).

Por meio de seu saxofone ele se tornou referência para músicos não só de seu instrumento, mas para todo e qualquer sujeito que leva a sério essa arte e a ela se dedica abnegadamente. Quando falamos em improvisação, Charlie Parker é nome obrigatório.

Colocadas as respectivas ponderações técnicas e musicais (que pra quem não é do meio soam um tanto chatas, com toda a razão), é preciso dizer que Charles Parker Jr. – conhecido pelo apelido Bird – devido aos seus altos e baixos, seus dramas e seus vícios teve uma vida digna de ser contada em livros e filmes.

Pois sua trajetória foi mesmo contada num filme. Esplêndido, diga-se de passagem. O autor da obra-prima? O melhor contador de histórias do cinema: Clint Eastwood.

“Bird”, de 1988, mostra a dramática e intensa carreira do gênio Charlie Parker. Quem deu vida ao mito foi o ator Forest Whitaker, que por seu papel recebeu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, bem como Clint Eastwood, que ganhou o Globo de Ouro de melhor diretor.

Não pense que o filme é interessante somente para iniciados no jazz. Claro, é um deleite para quem tem alguma vivência no estilo e ainda mais para aqueles que sabem das dificuldades de se ser um músico dedicado num meio muitas vezes cruel. Contudo, a impressionante história de Parker torna o filme uma obra palpável para qualquer pessoa. Redundante dizer que a trilha sonora é um primor.

No período de auge do jazz, em que as pessoas lotavam casas noturnas para ouvir os grandes nomes do jazz descarregando improvisos tortos e cheios da mais pura inspiração, os músicos também eram os mais junkies, não raras vezes perdendo-se completamente no vício em drogas e bebidas. Roqueiros posteriores são fichinha diante de alguns jazzistas daquele período.

“Bird” é mais uma das grandes obras de Clint Eastwood, mais uma de suas inesquecíveis contribuições ao cinema. Além de contar a história de Charlie Parker, Clint invariavelmente prestou um tributo ao jazz, estilo do qual é um fervoroso fã e entusiasta.

Instrumentistas que fazem minha cabeça – Alex Bershadsky

Quem me conhece sabe que, em minhas influências musicais, procuro fugir de alguns dos nomes internacionais de sempre – embora tenha por eles a devida admiração e respeito. (Falo de instrumentistas)

Há músicos bem menos conhecidos por aí e que fazem um som que me interessa e me emociona muito mais do que aqueles mesmos de sempre que constam na previsível cartilha das revistas de música e afins.

Um dos baixistas que tem pirado minha cabeça é o israelense Alex Bershadsky. Possui uma técnica absurda de slap, contudo, sua abordagem no fretless é de uma sensibilidade marcante, fazendo muito bom uso de harmônicos e notas econômicas muito bem colocadas.

Ok. Chega que isso já tá virando papo mala de resenha de revista de contrabaixo.

Abaixo, um vídeo de Alex tocando “Falling Angels”.

Na sequência, uma versão improvável e belíssima de “Smells Like Teen Spirit”, de seu mais novo álbum, Anonymous.