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MTV fechando e um acústico que frustrou expectativas

acustico07A MTV encerrando as atividades no Brasil é um sinal dos tempos. Sinal de tempos bicudos, pois o canal pode até ser adquirido por uma igreja evangélica.

Você não pensou que eu ia dizer que se trata de um sintoma da modernidade, por conta dos novos meios de comunicação, não é?

Seria engraçado falar de modernidade num país como o nosso em que, mesmo com a internet chegando a confins improváveis, ficamos cada vez mais retrógrados e estupidamente conservadores, vide a ascensão de pastores picaretas e de bancadas cheias de falsos moralismos em nossos plenários.

Mas ok: não vou me afundar nesse lodo.

Pois como o canal musical está em suas derradeiras transmissões, a programação também foi alterada: volta e meia, por exemplo, passa algum dos Acústicos MTV – formato que, ao longo de duas décadas consagrou, alavancou ou reergueu carreiras de diversos artistas nacionais. Aliás, certa vez já falei de meus discos desplugados favoritos aqui no blog. Dia desses retomo o assunto.

No sábado à tarde a MTV reprisou o unplugged de uma das bandas mais importantes da nossa música – e uma das minhas favoritas: Os Paralamas do Sucesso.

E mais uma vez constatei: que acústico decepcionante.

Na época do lançamento, em 1999, eu não havia gostado. Passados alguns anos continuei não gostando. E hoje…

Talvez tenha se criado muita expectativa em torno de uma banda com uma carreira tão rica, com tantos hits, com um Herbert Vianna em sua plenitude e com uma formação oficial de trio intacta, coesa, com rara competência musical.

Aliás, é aí que já entra uma das minhas implicâncias com o disco: não me interessa se o Dado Villa Lobos é amigo da banda, parceiro, coisa e tal. Mas o que diabos ele somou ao tocar todo o show junto do grupo? Foi algo gratuito, deslocado. E principalmente, uma energia que em nada tem a ver com o Paralamas. Sem contar que, musicalmente, ele é simplório perto da riqueza e da variedade rítmica e melódica do trio.

Outros aspectos também desconfortam: o cenário enclausurado para uma banda grande, o visual uniforme em vermelho, numa combinação nula com a brasilidade de sua música. Falta classe, falta limpeza, falta Paralamas.

E o repertório também, parece não ter sido muito pensado – sensação que talvez tenha a ver com os arranjos.

Eu não sou crítico musical – sou músico. E sou grande fã dos Paralamas do Sucesso, gosto muito de sua carreira e até hoje ainda ouço seus discos. Ao lado dos Titãs, são os maiores. Aliás, tá aí: seus contemporâneos Titãs fizeram aquele acústico de 1997 que é um verdadeiro marco deste formato da MTV, um grande álbum. Como não esperar que o Paralamas fizesse algo, no mínimo, semelhante?

 

 

Aquela música do comercial

headerjuliana

Talvez você nem tenha prestado atenção. Ou, quem sabe, você tenha parado o que estava fazendo para curtir o comercial levado pela música diferente e querida que estava tocando na trilha. Comigo foi a segunda opção. Músicas bacanas, de algum modo diferentes, sempre são um belo chamariz para uma propaganda.

O comercial no caso é o da Microsoft, do Windows 8 – já li por aí que a música é melhor que o produto. Mantenho-me longe da discussão.

Um pop, meio indie, meio folk, cantado em espanhol logo me levou a imaginar que fosse alguma banda bacana do México, da América Latina, sei lá. E qual não foi a minha surpresa em saber que “El Hueco” (a trilha da propaganda) é de uma cantora e compositora paulista, chamada Juliana R? Aos 23 anos ela emplacou sua música na campanha mundial da empresa.

Ainda não ouvi seu trabalho todo, mas pelo que pude me informar – e ouvir previamente – me interessou. Embora constantemente associada ao “novo folk”, a cantora Juliana R prefere se esquivar dessas categorias, apresentando-se somente como cantora e compositora. Os comentários a respeito de sua música refletem a diversidade dos gostos e das influências da cantora, dentre os quais estão o cenário musical da Jamaica dos anos 60 e 70, sonoridades brasileiras como bossa nova e tropicália e o experimentalismo da banda The Velvet Underground.

Aqui, o link para “El Hueco”.

Fonte: www.julianar.com.br

As melhores imagens do ano

Não sou muito chegado nessa época de final de ano. Dezembro é um mês terrível, estamos todos a um passo da loucura e expressamos isso a todo momento.

Contudo, tradicionalmente, é o período de fazer balanços e listas onde se elege os melhores de vários temas, além das retrospectivas e aquela sensação de que os acontecimentos de janeiro parecem bem mais distantes do que meros 11 ou 12 meses. Enfim, muito assunto ainda vem por aí.

O jornal britânico Daily Mail acaba de publicar uma lista com as melhores fotografias de 2012, onde não só os acontecimentos mundiais mais marcantes estão retratados por meio de imagens grandiosas, mas igualmente cenas cotidianas de meros anônimos ou personalidades conhecidas flagradas em momentos inusitados formam o conjunto de algumas das fotos que marcam a passagem de mais um ano.

Os Jogos Olímpicos de Londres, a reeleição de Barack Obama, além das sempre presentes cenas de conflitos, tragédias, espetáculos naturais, pobreza, animais, momentos marcantes da arte e de pessoas importantes na música e no cinema…Tudo esta presente.

Para ver as demais imagens, acesse: Daily Mail.

O britânico Mohamed Farah comemora vitória na final dos 5.000 metros, na Olimpíada de Londres.

O recordista Usain Bolt comemora após vitória no revezamento 4×100.

O chinês Zheng Tao comemora a quebra do recorde nos 100m nado costas na Paraolimpíada.

Príncipes William e Harry e a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, abanam durante o Jubileu de Diamante

Uma das imagens mais famosas deste ano: o primeiro abraço entre Barack e Michelle Obama após a confirmação de sua reeleição.

A piscada de Obama após fazer uma piada durante o jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca, em abril.

Navio Costa Concórdia afundando no porto Isola del Giglio, Itália, após manobra mal-sucedida do capitão Francesco Schettino

Visitantes chineses observam água liberada da barragem de Xiaolangdi para limpar o rio Amarelo e evitar inundações localizadas.

Menino ferido por bomba esperando atendimento durante os combates no norte da Síria.

Exilado tibetano após atear fogo no próprio corpo durante um protesto em Nova Délhi em março passado.

Menino nadando entre escombros, em Manila, tentando salvar algum pertence após tempestade tropical.

A bem conservada carcaça de um bebê mamute de 42 mil anos de idade, encontrada na península de Lyuba, na Rússia

Meryl Streep e Jean Dujardin comemorar seu sucesso na cerimônia do Oscar, em Fevereiro.

O argentino Lionel Messi, melhor do mundo, comemorando a marcação de um gol pelo Barcelona, diante do Málaga.

A arte fotográfica de Andy Gotts

Andy Gotts é um fotógrafo londrino cujo trabalho é encantadoramente impactante. Seus cliques são muito almejados entre as celebridades cinematográficas de Hollywood, que fazem questão de se deixar fotografar conforme o consagrado estilo de Andy.

Sua arte realça o que há de mais belo e genuíno nas pessoas, ao não disfarçar rugas e outras marcas. Em seus trabalhos, não exige maquiadores, assistentes ou estilistas. Nada de mega-produções – o que segundo ele são distrações desnecessárias para uma boa fotografia.

O que torna seus registros tão grandiosos, além de seu modo de trabalho, é também o fato de fotografar rostos e olhares naturalmente muito expressivos. Como resultado, não há como passar incólume diante de uma única imagem.

Acho que a impressionante beleza destas fotografias pode servir para que captemos algo para nós, mesmo que mal saibamos nos virar com uma camerazinha automática – sequer é a isso que me refiro. Nestas imagens, a insuperável beleza sincera da simplicidade é o que as torna tão lindas. Por mais que se possa maquiar as coisas, rebuscá-las e disfarçá-las, o resultado nunca superará a desconcertante sensação de estar diante de algo verdadeiro.

Quem sabe se estendêssemos isso para outras manifestações artísticas?  Quem sabe, principalmente, para nossas relações pessoais e nossa maneira de viver?

Al Pacino

Malcolm McDowell

Adrien Brody

George Clooney

Anthony Hopkins

Clint Eastwood

Kate Winslet

Christopher Lee

Tom Wilkinson

Sharon Stone

Robert De Niro

Lauren Bacall

Jeff Bridges

Dustin Hoffman

Morgan Freeman

Cate Blanchett

Heath Ledger

Halle Berry

Ed Harris

Rod Steiger

Susan Sarandon

Boas entrevistas no Youtube

Sou um ávido consumidor de boas entrevistas. Desde sempre fui fascinado em ler ou ouvir o que pessoas interessantes têm a dizer. Sei também que para que uma boa entrevista se consolidar, é fundamental um conjunto de fatores.

O entrevistado tem de estar no clima, estar afim (do contrário, o que tinha tudo para render bons frutos, pode ficar totalmente arruinado).  Fundamental: o entrevistador ser competente o bastante para deixar o entrevistado falar, desfilar suas idéias, contar suas histórias.

Contar histórias… como é bom ouvir alguém contar histórias.

Acho que as pessoas têm de aprender a ouvir mais. Ouvindo é que se aprende; ouvindo é que mostramos capacidade de raciocinar e criar as nossas idéias; ouvindo, nos enriquecemos. Boas entrevistas são um bom caminho.

Um programa que se tornou um marco é o Roda Viva, da TV Cultura. Ok, o cardápio por vezes pode ser interessante, por vezes, não. No entanto, já passaram por lá grandes personalidades, ícones fundamentais.

Outro dia, consertei uma porta ao som de uma entrevista lendária de que Tom Jobim deu ao Roda Viva. É só dar o play e apreciar mais de uma hora de bom papo e muitas hitórias.

Há vários destaques: o já citado Tom Jobim, Ayrton Senna, João Saldanha, Telê Santana, Jô Soares, Leonel Brizola, Mario Vargas Llosa… uma infinidade de grandes figuras, as vezes polêmicas e contraditórias, mas cujas palavras valem muito ser ouvidas.

Link: Roda Viva

Comercial argentino sensacional

Graças ao Youtube nosso de cada dia, tomamos conhecimento de algumas obras publicitárias que são criadas e veiculadas por aí. O futebol, não raro, rende boas propagandas.

No caso deste post, há um comercial argentino simplesmente fantástico, de uma bebida isotônica.
Não vou me alongar muito, o melhor é assistir e se divertir com a sacada muito bem-humorada.

Todavia, eu que sou fã do futebol  argentino, não vou me abster de fazer, claro, uma pequena constatação. Enquanto lá eles têm orgulho da raça e da virilidade no futebol, e até tomam isso como mote de um ótimo comercial, no Brasil, quando o tema da publicidade é futebol, geralmente envolve malandragem, esperteza, tirar vantagem. Aqui, o talentoso mirradinho, que faz dança imbecil a cada gol marcado, é tido como um santo de porcelana, que não pode ser alvo de jogadas ríspidas e mais fortes.
Um comercial como este  abaixo, seria alvo de análises idiotas, que veriam incentivo à violência na campanha.

É muito enfeite, vamos combinar!

Feito meu desabafo, sigamos para a diversão:

Seriado Chaves ganha canal exclusivo no Youtube

Chaves, o programa mexicano de humor que se tornou cult e que vem fazendo parte da vida de pessoas das mais diversas gerações, acaba de ganhar um canal exclusivo no Youtube.

Se antes os fãs tinham que aguardar pelo SBT para saber qual episódio iria reprisar ou, então, buscar de maneira desordenada no próprio Youtube, agora tudo ficou mais fácil.

O recém lançado canal oficial do programa contém 153 episódios na íntegra, com qualidade de DVD e, claro, tendo a dublagem clássica, com a qual nos acostumamos ao longo dos anos.

A criação de Roberto Gómez Bolaños é, definitivamente, um dos maiores fenômenos mundiais da televisão. Episódios gravados em sua maioria na década de 70 e início dos anos 80, mesmo que reprisados pela enésima vez, continuam encantando até os dias de hoje. As falas estão decoradas, as piadas memorizadas, os trejeitos são conhecidos, mas o humor ingênuo e inteligente, baseado muito no talento dos próprios atores, encanta cada vez mais.

Clique aqui para acessar o canal.

O amor retratado na luta de um casal contra o Alzheimer

Por vezes a expressão do comovente, do triste e do belo se confundem. Quando isto acontece, não raro, temos como resultado obras de arte que invariavelmente nos levam às lágrimas.

Tive esta experiência ao ver e ler sobre os detalhes do trabalho do fotógrafo argentino Alejandro Kirchuk, de 24 anos, vencedor do concurso World Press Photo 2011 na categoria “Vida Cotidiana” com a obra La noche que me quieras.

Alejandro registrou durante três anos o dia-a-dia de seus avós maternos Marcos e Mónica, a partir do momento em que sua avó foi diagnosticada com Alzheimer. Quando começou o trabalho, ela tinha apenas algumas falhas de memória, que logo evoluíram para o esquecimento total. “Às vezes, ela me reconhecia e às vezes, não. Com o tempo, já não me reconhecia mais. Mas à sua maneira reconhecia meu avô que a acompanhou em cada detalhe do cotidiano.”

Marcos, um médico aposentado, largou tudo e passou a dedicar-se exclusivamente aos cuidados de sua esposa, Mónica, após ser constatada a doença degenerativa. Mónica morreu aos 87 anos de idade e Marcos tem 89 anos. Ficaram casados durante 65 anos.

Marcos abriu mão de suas coisas para dedicar-se integralmente à sua esposa. As refeições duravam até uma hora; a perversa degeneração faz com que a pessoa não consiga mais reconhecer as pessoas  que passaram a vida junto dela, além de tornar-se totalmente dependente de auxílio. É uma doença triste.

Alejandro conta que a imagem mais forte é uma em que sua avó aparece bastante próxima, com os olhos um tanto marejados, porém a bordo daquele olhar um tanto vazio, tão típico das pessoas que possuem o mal. O desfecho do trabalho fotográfico é comovente, ao mostrar Marcos sozinho olhando o jardim da casa onde morou com Mónica.

Fiquei emocionado ao observar as fotografias. É tão real, tão próximo.

É triste, comovente e lindo.

Pode existir vazio maior do que o de uma pessoa cuja lembrança se esvai mais e mais a cada instante? Pode haver amor e entrega maior do que a de Marcos, que fez da dedicação à sua esposa em seus últimos dias o sentido de sua vida?

Abaixo o link do site da premiação onde encontra-se o ensaio fotográfico de Alejandro Kirchuk:

World Press Photo

Matthew Broderick revive seu personagem mais famoso

Um dos maiores clássicos da Sessão da Tarde é, sem dúvidas, Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off – 1986) – filme sobre o qual já comentei aqui no blog.

Pois não é que Matthew Broderick volta agora ao seu papel mais famoso, interpretando a si mesmo, numa campanha publicitária? No comercial, o ator acorda sem nenhuma vontade de trabalhar em um belo dia de sol, faz uso do mesmo plano brilhante do personagem Ferris Bueller, da clássica comédia adolescente dos anos 1980, liga para seu chefe fingindo estar doente e aproveita a dispensa para fazem um passeio pela cidade.

A partir daí, ocorrem várias situações que remetem às clássicas cenas do filme, porém, sem repeti-las. Um dos momentos inesquecíveis de Curtindo a Vida…, quando Ferris invade uma parada de rua cantando “Twist and Shout” é relembrada no comercial, com contornos satíricos, claro – a parada de rua é chinesa e a canção, no caso, bem menos nobre e conhecida que o hit dos Beatles.

No filme, Ferris Bueller finge estar resfriado para não ir à escola, engana o diretor de sua escola – seu algoz durante toda a trama – pega sua namorada e seu melhor amigo, que é convencido a roubar a Ferrari de coleção de seu pai, dando início a um dia inesquecível de curtição e matação de aula.

Abaixo, o comercial em que Matthew Broderick revive Ferris Bueller e a cena clássica de Curtindo a Vida Adoidado, do desfile de rua.

Futebol goela abaixo

De manhã, abro sites de notícia, na Folha.com leio a seguinte manchete: “Globo mostrará todos os jogos do Corinthians na Libertadores”. Sensação imediata de enjôo.

É impossível não se revoltar com algo que já surge como normal em nosso cotidiano onde empurrar goela abaixo é o método mais prático de se agradar a interesses sorrateiros.

Todos sabem que futebol é negócio. As cifras pornográficas pagas aos profissionais do meio atestam isso. Igualmente, é óbvio que alguns clubes possuem maior apelo popular justamente por se concentrar em grandes centros. No entanto, como apaixonado pelo esporte que sou, me sinto tranqüilo para me enojar com certas coisas. As redes de televisão Globo e Bandeirantes nos últimos anos resolveram agir como se o Corinthians fosse o clube de todos os brasileiros; o sonho deles é poder dizer “o nosso Corinthians”, tal qual fazem com uma seleção brasileira.

Sequer entro no debate sobre a porcentagem da verba televisiva destinada a todos os clubes – no fim das contas, os que ganham uma parcela menor, são coniventes com as condições. Porém acho um enorme desrespeito a história de impor essa coisa patética de que ‘todos amamos o Corinthians’. O contrário é que condiz com a verdade.

Outra coisa que mostra o quão safada é a relação da mídia com o meio futebolístico é o status de ídolo que atribuem a certos jogadores. O tal do Adriano Imperador, sempre metido em encrencas, visto com armas e frequentando festas de bandidos, volta e meia aparece num Fantástico da vida, chorando, fazendo drama, sendo alçado à condição de exemplo para crianças e jovens, por esta mesma mídia que prega moral de cuecas logo em seguida.

Deveria ser pauta um indivíduo que, do alto de sua fortuna, estivesse envolvido em projetos sociais, melhorasse o Natal de desafortunados, fizesse qualquer coisa do tipo. O ex-jogador  Dunga  mantém a entidade assistencial Esporte Clube Cidadão. Ele teve coragem de peitar a imprensa e foi defenestrado pela mesma. Seu assistencialismo não é digno sequer de nota. Já seres asquerosos e inúteis à sociedade como Andrés Sánchez e Adriano Imperador ganham mídia quando bem entendem.