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A morte de Robin Williams

downloadUm verdadeiro choque a notícia da morte do Robin Williams, mais ainda pelas circunstâncias que envolvem o fato. Há anos que, esporadicamente, sabia-se algo sobre sua luta contra a dependência alcoólica e química, mas o problema da depressão não era tão conhecido.

Infelizmente, percalços tão comuns aqui embaixo, tornam os ídolos mais humanos e próximos a nós. É assustador perceber que, mesmo a grana, mesmo a fama, não são capazes de nos resgatar de um poço tão cruel e tão impossível de ser escalado.

Quando acontecem estes casos, como o aparente suicídio de Robin Williams e a recente morte (também por suicídio) do humorista brasileiro Fausto Fanti, mesmo que não tenhamos conhecimento algum sobre as suas intimidades, o que mais penso é na aflição que estavam passando. Eu só consigo pensar nisso, num aparente sufoco, uma agonia indescritível.

Assisti inúmeros filmes de Robin Williams. Não há como não citar o inspirador Sociedade dos Poetas Mortos, tampouco o comovente Gênio Indomável e o tocante Patch Adams. As comédias destacam-se em seu currículo e, mesmo quando seu papel não fosse tão cômico, a sua atuação continha um quê de inocência, de ingenuidade, que o tornava irresistível.

Eu destaco um filme em que ele interpreta um vilão, chamado Insônia, no qual contracena com Al Pacino e Hilary Swank. É um trabalho surpreendente, que foge daqueles que nos acostumamos a ver.

Mas de todos, acho que o que mais gosto e sempre terei vontade de assistir é o maluco e surpreendente Bom Dia Vietnã, onde ele interpreta um radialista recrutado para levar ao ar um programa de rádio em pleno Vietnã, a serviço das forças armadas americanas. Neste filme de 1987, Robin Williams é muito ele mesmo: fala pelos cotovelos, faz mil piadas por minuto – nos bastidores do filme revela-se que grande parte das suas tresloucadas locuções foram feitas de improviso, devido à sua capacidade de levar o personagem adiante por si só.

Mas como não voltar a pensar na aflição que ele passou, na falta de saídas, de ânimo para continuar vivendo…

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Um vazio na lembrança dos avós

Nem todas as pessoas tiveram o privilégio de conviver com seus avós durante um período considerável de sua vida. É mais comum encontrar quem possui uma lembrança vaga deles, guardada numa distância longínqua da memória.

Eu tive a sorte de ter crescido tendo todos os avós ao meu lado, mantendo com eles um convívio muito próximo, influente em minha vida. Há poucos anos, perdi dois deles, os que eu tinha mais proximidade e empatia.

Perder um avô é algo muito relativo em termos de sentimento, depende do tempo de convívio e, acima de tudo, da afinidade da relação. E eu tive total afinidade com estes que perdi e, mesmo já tendo passado alguns anos de suas partidas, a lembrança mais clara que tenho e que sempre me vem à mente é o conforto que eles me davam e que hoje é apenas um vazio sem significado.

As vezes um pequeno período semanal, um “tchau” na saída, um “oi” na chegada; as vezes uma tarde toda conversando, dividindo não só coisas boas, mas também minhas aflições, frustrações e problemas, tantos momentos e ocasiões diferentes, tão diferentes quanto eram nossas gerações e vivências de vida. No entanto nossas almas tornavam-se próximas pela essência que tínhamos.

Era uma proximidade incomparável. Havia a sensação de que me conheciam tão bem, melhor que eu mesmo, e eu, mesmo ouvindo tantas histórias, ainda tinha tanto para saber deles, aprender, ouvir.

As almas eram próximas e isso trazia um conforto que hoje apenas é um vazio, um conforto que mal sei mensurar, pois é uma sensação que não tenho mais e que ficou no passado.

 

Seleção Brasileira na realidade das oitavas

A seleção brasileira goleou Camarões, um dos times mais fracos da Copa, sem compromisso com jogo sério, com marcação, com resultado, repleta de jogadores mais atentos ao aeroporto e ao vôo de volta para casa do que com o adversário.

Neymar, o único jogador capaz de desequilibrar, o craque individualista, deitou e rolou nas avenidas abertas do quase amador futebol camaronês. Até Fred, que já estava em fim de carreira em 2010, marcou.

Não acho que o Brasil vá cair já nas oitavas. O Chile tem um grande time, mas possui uma estratégia um tanto camicase, se joga pra frente e abre espaços oferecendo o contra-ataque ao oponente. Contudo, as barbadas terminaram.

E, sendo bem prático: futebol é jogo coletivo – o Brasil depende unicamente de um jogador que, quando não marcado, deita e rola, faz gols, faz dancinhas, não cumprimenta o adversário que lhe pede desculpas pelo empurrão, faz a alegria da torcida. Time vencedor possui estabilidade em seus diversos setores – o Brasil ainda não sabe se tem goleiro (Júlio César não foi sequer testado na Copa), possui somente dois defensores (os laterais não marcam e se jogam ao ataque), o meio-campo é parco de criatividade e no ataque possui um jogador inoperante.

Não é azedume: eu vejo futebol e observo, critico as deficiências do meu próprio time quando elas existem e fico fulo da vida quando os entendidos não escancaram os seus problemas; não aceito que se mascare os fatos, saúdo o bom futebol e não me engano com oba-oba.

E desde sempre sou admirador de outro tipo de jogo. Todas as seleções já passaram ou irão passar apertos, no entanto, times talhados para ganhar possuem outro perfil, não vencem sem equilíbrio e solidariedade.

E outra coisa: alguém ainda agüenta aquele canto do “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”?

Arbitragens garantem a tranquilidade da seleção na Copa

A Copa começou e a seleção brasileira pode ficar tranqüila: vai longe na competição. Para garantir a passagem à fase seguinte, a sacanagem começou logo no primeiro jogo, com a Croácia sendo garfeada na cara dura.

A arbitragem desequilibrou para o lado do Brasil um disputa que, até então, estava se encaminhando favoravelmente aos croatas. Neymar deveria ter sido expulso no escandaloso lance da cotovelada em Modric. E aquele pênalti inventado pelo juiz e encenado por Fred, fosse no campeonato gaúcho, renderia ao árbitro uma suspensão como forma de punição.

Tudo isso me fez lembrar 2002 e aquela celebrada seleção do penta, que teve sua campanha altamente favorecida na base da mão grande, quando Turquia (na primeira fase) e Bélgica foram exemplarmente prejudicadas. O Penta é um título manchado e este é um fato que só será admitido daqui uns 30 anos.

Para a Fifa, para os governantes e para os patrocinadores é interessante que o Brasil avance e permaneça na competição o máximo possível.

Portanto: a seleção vai longe na Copa do Mundo e a letra foi dada ontem.

Sobre a Copa 2014

Há quatro anos, ainda nos primórdios do blog, acontecia a Copa da África e, esporadicamente, eu dava meus pitacos por aqui, apesar de não ser este o foco. Contudo, não me seguro. Então, lá vamos nós mais uma vez.

 

Acho o Brasil forte candidato para levar a Copa. Não pelo time – que tratou de fazer aquele velho e bom marketing de sempre, principalmente através de seu treinador – mas pelo peso da torcida, do fator local. A equipe, em si, é de uma safra pobre, cujo melhor setor é o defensivo (o que vai contra as tradições futebolísticas), que acaba apostando tudo nos lampejos de seu único craque, comandada por um treinador ultrapassado, que assumiu o posto meio que como solução mágica. O resto é ufanismo e cegueira diante da verdade das quatro linhas.

A Alemanha está há muito tempo na fila, possui o mesmo treinador há mais de quatro anos, vem renovando seu time e tornando-o forte, como manda a sua tradição, porém, unindo técnica e eficiência como nunca antes se viu num plantel germânico. É minha franca favorita e espero que leve o caneco, como prêmio pela renovação organizada que implantou.

A Argentina… sempre torço por eles, por ser fã de seu futebol e de seus abnegados jogadores. Do meio pra frente é um timaço. Já do meio pra trás… prefiro o meu Colorado (e olha que nosso setor defensivo é uma temeridade!).

Há aqueles mesmos de sempre correndo por fora; gostaria que a surpresa da Copa fosse a Bélgica (nem tão surpresa, pois é citada por muitos como candidata à uma boa campanha) e, sinceramente, quem eu realmente acredito que pode surpreender é a Holanda, que desta vez chega subestimada, pouco falada, mais enaltecida pela simpatia de seus jogadores e de sua torcida.

Bom, hoje começa a overdose de bola.

Que seja divertido.

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66 anos de Snowy White

snowy-white-roger-waters-guitarist-wall-2010-tourHoje é aniversário de Snowy White, um dos meus guitarristas preferidos e que é um daqueles caras que coloca no bolso, com uma nota apenas, qualquer virtuoso chato que faz corridinha de notas e notas sem maiores significados, com o único intuito de satisfazer o próprio ego.

Snowy é um músico mega importante na sonoridade do Pink Floyd, sobretudo a partir do álbum Animals, onde participou das gravações em estúdio e depois passou a integrar a banda de apoio, fazendo um casamento perfeito com a guitarra melódica de David Gilmour.

Mas Snowy White tem um brilho próprio que o faz sobrepor-se a qualquer sombra de outro grande músico (gravou seus discos solo, fez parte do Thin Lizzy). Não a toa, tornou-se parte fundamental dos shows de Roger Waters.

No entanto, o que mais me apaixona e faz amar o som de White é seu estilo, sua elegância.

Ele tem tanta personalidade que pode se dar ao luxo de levar aos ouvidos de uma platéia um solo com uma única nota longa, tão intensa que parece que vai fazer um grito irromper da alma de quem está ouvindo a qualquer momento, tamanha é a intensidade daquele som e seu significado. Tem que ter cacife pra conseguir isso. E o melhor: sobre um clássico.

Abaixo, esse solo que falei, durante a turnê The Wall, de Roger Waters, na música “Hey You”. Quem assistiu ao show sabe que essa música abre o segundo bloco do espetáculo, onde a banda se encontra totalmente escondida atrás do famigerado muro. O vídeo mostra o que ocorre por trás da muralha, algo ao que dificilmente nós da platéia teríamos acesso, além de todo o carinho da banda e da equipe para com nosso ídolo, Snowy White.

E, enfim, o solo que embolsa um bom punhado de guitarristas velocistas sem alma que andam por aí, mundo afora.

Philip Seymour Hoffman foi um dos melhores

philip seymour hoffmanFiquei chocado ao saber da morte de Philip Seymour Hoffman, ator maravilhoso, um dos maiores de seu tempo.

Não se verá muitas homenagens por aí, como aquelas que tomaram conta das redes sociais após a morte do ator Paul Walker de “Velozes e Furiosos” e que encheram a paciência. Philip era um ator de verdade, na essência da palavra, mas não era o tipo herói, bonitão, com apelo comercial escancarado.

Suas aparições, desde as mais singelas, sempre me encantaram. Fazia personagens densos, mesmo quando menos perceptíveis, como o adorável enfermeiro de “Magnólia”. Foi capaz de arrebatar meio mundo, e também um Oscar de melhor ator, ao interpretar Truman Capote, em 2005. Atuação assombrosa.

Hoffman, tenho a impressão, conferia uma melancolia aos seus personagens, uma certa tristeza. Isso os deixava ainda mais apaixonantes.

Morreu, possivelmente, de overdose, sendo encontrado morto aos 46 anos, no banheiro de seu apartamento em Nova York, neste domingo. É algo que me comove, pois ninguém tem a capacidade de julgar ou imaginar quais fantasmas o atormentavam e o tornavam uma pessoa complexa, com seus problemas, neuras e tristezas. E isso só aumenta o encantamento em torno de seu trabalho e de sua personalidade.