Arquivo da categoria: Rock

Os 60 anos de Geddy Lee e minha relação com ele

Há bandas e músicos que, mesmo sem que você seja o mais ardoroso fã, tornam-se especiais em sua vida. É o meu caso com o Rush.

Eu sou fã, muito mesmo, da banda canadense, mas sei que estou longe de alguns realmente religiosos; aliás, tenho amigos que conhecem e sabem muito mais do Rush do que eu, que pela banda têm a mesma devoção que eu tenho, digamos, pelo Pink Floyd.

Agora, jamais irei esquecer o impacto que o Rush causou em minha vida de músico, mais especificamente, Geddy Lee, baixista do trio, e que hoje completa sábios 60 anos de idade.

Eu tinha quinze anos, estava começando minha vida profissional na música, quando por meio de um colega de banda consegui uma fita k7 com o álbum ao vivo A Show of Hands, de 1988 (mas calma lá que o fato se deu em 1995!).

Eu pirei na primeira audição e imediatamente, sem sequer conhecer as músicas, comecei a “tirá-las”, a decorar nota por nota, a aprender técnicas novas, a ganhar velocidade e capacidade para alçar novos vôos no contrabaixo.

A partir daí, eu passei a me dedicar de uma maneira muito séria ao meu instrumento e, claro, com os anos fui para outras praias, ouvir e aprender músicas e estudos mais complexos.

Mas, assim como aprender linhas de baixo de reggae com 12 anos foi uma escola imprescindível, e já na adolescência procurar saber e estudar música pop proporcionou linguagens variadas à minha música, conhecer Geddy Lee, sua forma de tocar e sua sonoridade naquele A Show of Hands  foi um destes pontos cruciais, que fazem com que se norteie uma carreira por determinado caminho.

Tendo todo este significado para mim, parabéns, Geddy Lee!

Abaixo uma das primeiras música do Rush que aprendi a tocar, com o som de baixo que se tornou uma inspiração constante.

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Dia Mundial do Rock: uma grande canção, uma ótima história

pink floyd 01

Dia Mundial do Rock: nada melhor que uma grande música acompanhada de uma boa história para celebrar o dia. Por acaso, é uma das minhas preferidas da minha banda predileta: “Have a Cigar”, do Pink Floyd.

A canção está presente no álbum Wish You Were Here, lançado em 1975 e foi escrita por Roger Waters.

Enquanto o álbum todo fala do distanciamento espiritual de pessoas que continuam juntas mas não mais como outrora – reflexo do momento que a banda vivia – e também lamenta a ausência e homenageia o fundador agora doente, Syd Barret, as músicas “Welcome to the Machine” e “Have a Cigar” são críticas bastante ferozes à indústria musical e ao modo como funcionam grandes corporações que somente visam o lucro em detrimento de quem quer que seja.

Curiosamente, “Have a Cigar” é uma rara canção que não foi cantada por nenhum membro do Pink Floyd. Durante as gravações, David Gilmour recusou-se a cantá-la por não se sentir completamente identificado com o tema. Waters, o autor, penava para conseguir gravá-la. Enquanto isso, em outra sala do estúdio Abbey Road, o cantor Roy Harper trabalhava em seu álbum HQ.

Segundo Waters, “Roy ficava entrando e saindo do estúdio o tempo todo. Não consigo me lembrar quem foi que sugeriu que ele devia  cantá-la – talvez tenha sido eu, talvez na esperança de que todos dissessem ‘oh, Roger, você deve fazê-lo’. Mas eles não disseram. Na verdade, todos acharam uma excelente ideia.”

Embora nos tenhamos acostumado a ver Roger Waters interpretando “Have a Cigar” em performances ao vivo, no álbum quem a cantou foi mesmo Roy Harper.

Roger Waters nunca engoliu muito bem o fato. Na verdade, já era o resultado de um clima pesado que rolava entre os integrantes. O próprio Waters disse em entrevistas nos anos seguintes que sentia que o restante da banda fizera questão de passar a impressão de que ele não cantava bem o suficiente, que era o músico menos capaz, que os demais eram melhores.

Imagine uma questão tão sensível sendo vivenciada logo após a estrondosa decolagem que a banda teve com o fenômeno The Dark Side of the Moon, álbum que elevou o Pink Floyd ao patamar dos maiores de todos os tempos, mas que também trouxe à tona todas as dificuldades de relacionamento que estavam quietas, embaixo de um belo tapete em uma sala de chá tipicamente inglesa!

Fonte: Nos Bastidores do Pink Floyd, de Mark Blake.

Rush recebe homenagem do Foo Fighters na cerimônia do Rock & Roll Hall of Fame

O Rush, banda canadense mais votada dos indicados ao Rock & Roll Hall of Fame 2013, foi finalmente empossado na noite de ontem, no Nokia Theater, em Los Angeles.

A cerimônia completa será transmitida no próximo dia 18 de maio pelo canal HBO, mas ainda não se sabe se será exibida aqui no Brasil.

Dave Grohl, líder do Foo Fighters, foi quem fez as honras na oficialização do trio canadense, mas o destaque ficou para a homenagem que Dave e Taylor Hawkins (baterista do F.F.) fizeram a Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart, recriando “Overture”, primeira parte do clássico álbum 2112. Até o visual que o Rush usava na época foi utilizado, porém, o que chamou mesmo a atenção foi a grande performance musical, com Dave Grohl mandando uma guitarra poderosíssima.

Mais do que na hora do Rush entrar para o Hall of Fame. E nada mais adequado do que a banda ser homenageada por integrantes do Foo Fighters, um grupo que definitivamente tem o carisma, a música e a honestidade para figurar entre as grandes bandas de rock, além de ser, com muita justiça, admirado por nomes consagrados da música.

Ainda não há vídeos de grande qualidade, contudo, já dá pra ter uma ideia de como foi a homenagem.

Os 50 anos do primeiro disco dos Beatles

Beatles-_-Please-Please-MeHoje é um dia especial na história da música: há 50 anos, em 22 de março de 1963, era lançado “Please Please Me”, primeiro álbum dos Beatles.

Um disco que mudou os rumos musicais e culturais para sempre. Esse pop aí que você curte, o rock , o pop e o rock setentista, oitentista, da década de noventa, do novo século, nossas bandas e artistas preferidos… tudo tomou um novo rumo e se definiu a partir deste álbum.

A música brasileira, rica e irrequieta dos anos 70, só se fez assim graças à banda de Liverpool. O jazz, a MPB, tudo foi influenciado pelo surgimento dos Beatles para o mundo.

As pessoas podem conhecer tardiamente os Beatles. Ok, é perdoável. Imperdoável é não conhecer os Beatles.

Aliás, não gosto sequer de falar dos inúmeros e intermináveis motivos que fazem os Beatles os maiores de todos os tempos – é pequeno tentar defini-los.

“Please Please Me” foi o primeiro de uma carreira de 12 discos de estúdio que a banda lançou ao mercado durante sua carreira, que começou em 1962 e acabou oficialmente em 1970.

O álbum foi o estopim para a inédita beatlemania. Era a época das franjas e dos terninhos, que definiram bem este período do fab four. Nos anos seguintes, John, Paul, George e Ringo mudariam; se tornariam mais marcantes, mais soturnos, mais complexos, mais enigmáticos, mais apaixonantes; bem como a sua música, cada vez mais rica e encantadora.

E tudo teve início com Please Please Me.

Uma grande cena, ao som de Elton John

Hoje Sir Elton John fará show em Porto Alegre. Já escrevi sobre ele no blog (clique aqui), portanto, não irei simplesmente reeditar aquele post.

Contudo, vou juntar algumas pecinhas:

Um dos meus diretores de cinema prediletos é Cameron Crowe (você lê meu texto sobre ele clicando aqui), cujo filme “Quase Famosos” é um dos meus preferidos –  narra a trajetória de um jovem fã de rock (supostamente, o próprio diretor Cameron Crowe) que consegue trabalho na revista Rolling Stone para acompanhar uma banda emergente pelos EUA.

Uma das mais belas canções de Elton John é, sem dúvidas, “Tiny Dancer”, que é fio condutor de uma das cenas mais emblemáticas e emocionantes de “Quase Famosos”.

Que cena inesquecível! Que momento fantástico da combinação entre cinema e música!

A criatividade, o groove e o enfado de Bill Wyman, baixista original dos Stones

Bill Wyman, que hoje tem 75 anos, foi o baixista dos Rolling Stones, desde sua fundação até 1991.

Ao lado de Charlie Watts formava a cozinha da banda. Os dois também sempre foram conhecidos por serem a parte mais quieta do grupo, os menos eufóricos, menos afetados.

Aliás, se o papo é mostrar opostos dentro de uma banda, o clipe de “She’s So Cold” (gravado em 1980) é uma pérola impagável. Enquanto Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood sacolejam e se acabam em caras e bocas, lá num canto estão Bill Wyman e Charlie Watts, instrumentos em punho, com as maiores caras de saco cheio que já se viu em um clipe musical, tirando um certo sarro de toda a onda. Uma obra!

Ao final dos anos 90, Wyman criou o Bill Wyman’s Rythm Kings, um grupo de blues-rock-soul, com formação extensa e variável, contando com diversos músicos.

Bill Wyman merece sempre ser creditado pelo groove irresistível de dois grandes sons dos Stones: “Emotional Rescue” e “Miss You”.

Eis o gênio por trás destes dois clássicos.

Bastidores, câmera online 24hs… Preciosidades em torno da clássica imagem dos Beatles em Abbey Road

Nestes dias em que tanto se fala em Londres, nada mais adequado do que celebrar o dia de hoje, 08 de agosto. Foi nesta mesma data, em 1969, que o fotógrafo Iain Macmillan produziu uma das imagens mais célebres e conhecidas de todos os tempos: os Beatles atravessando a faixa de segurança de Abbey Road, em frente ao lendário estúdio de gravações de mesmo nome.

Este ícone da cultura pop, além de ser a capa do álbum Abbey Road, proliferou-se mundo afora, ilustrando quadros, camisetas, livros, anúncios, pinturas, bótons, tal qual a famosa imagem de Che Guevara.

Antes da sessão de fotos, Paul McCartney havia esboçado algumas idéias para a capa e mostrado para Iain Macmillan, um fotógrafo freelance, amigo de John Lennon e Yoko Ono.

Hoje, graças à internet, circulam livremente as demais fotografias tiradas por Macmillan e que não foram aproveitadas como definitivas – maravilhosas pérolas da cultura pop!

Outro primor que só pode ser possibilitado pela internet é uma câmera localizada no próprio estúdio e que filma a famosa faixa e toda a movimentação sobre ela 24 horas por dia, ao vivo. Está no link abaixo, no site do estúdio.

Abbey Road Crossing Webcam

Enfim, preciosidades que só encantam mais e mais todo o entorno de uma das imagens mais famosas de todos os tempos, envolvendo a maior de todas as bandas.