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Roger Waters, 70 anos

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Aos trinta anos de idade, as incertezas, as aflições, os medos, os traumas do passado e o mundo batem à sua porta.

Dizem que períodos assim podem ser canalizados para algo que resulta grandioso, como idealizar uma grande obra. Quem sabe o maior de todos os discos que uma banda já fez? Bom, então estamos falando de Roger Waters.

Obviamente que, quando se começa uma criação tão importante, não se imagina a dimensão que ela irá tomar. Mas em se tratando do ex-baixista do Pink Floyd e sua inabalável autoconfiança, quem poderá duvidar que ele já não soubesse, desde o início, que The Dark Side Of The Moon tinha tudo para tornar-se uma expressão artística tão impactante, revolucionária e eterna?

Hoje, Roger Waters completa 70 anos de idade. Ele foi o líder do Pink Floyd em seu período mais áureo e, principalmente, partiram de sua mente as ideias que fizeram a banda tornar-se o que ela é.

Porém, como uma boa pedra no sapato de ambos, não há como citar Waters sem falar de David Gilmour e vice-versa. Embora geniais em seus próprios mundos, quando lado a lado, eles construíram uma daquelas uniões mágicas que só podem fazer com que nós, fãs, tenhamos que agradecer sempre que tal encontro pode um dia acontecer.

Eles são bons ranzinzas. Como bons ingleses, mantiveram a classe em momentos de ódio e rancor memoráveis. Depois de anos de farpas públicas, finalmente apaziguaram os ânimos, até tocaram juntos e abraçaram-se.

Mas eles são de verdade, são humanos. Tal qual os questionamentos de Dark Side…, tal qual o sentimento de desamparo de Wish You Were Here, tal qual a ira com o sistema de Animals, tal qual o exorcismo de traumas incuráveis de The Wall.

A fama de prepotência e tirania de Waters lhe cabe perfeitamente. Acho que serve, sobretudo, para que tenhamos ele mais próximo de nós, para que ele não apenas fale por nós em suas músicas, mas para que possamos ser um pouco mais parecidos com ele.

Sempre é difícil falar de grandes ídolos.

Mas é sempre um prazer exaltar aqueles que tornam nossas vidas tão melhores através de sua arte.

 

 

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A íntegra da apresentação de Roger Waters no concerto 12-12-12

E salve estes tempos de Youtube, quando não temos a possibilidade de acompanhar ao vivo – seja in loco ou pela tv – um show tão incrível como foi o Concerto Beneficente 12-12-12, acontecido na noite quarta-feira, em Nova York.

Aí está, o vídeo na íntegra da magistral e emocionante apresentação de Roger Waters. De quebra, é possível acompanhar em detalhes a performance dessa grande banda que o acompanha já faz um bom tempo.

Vou chorar ali num cantinho e já volto.

Roger Waters toca ao lado de veteranos de guerra

“O que me interessa é o fardo que esses homens carregam e nunca iria questionar o motivo ou sequer sonhar em falar sobre política”. A frase é de Roger Waters que, na noite de ontem, tocou ao lado de veteranos de guerra durante o evento beneficente Stand Up For Heroes, show que aconteceu em prol da Bob Woodruff Foundation, no Beacon Theatre, em Nova York.

Waters possui uma ligação bastante próxima com o tema, pois perdeu seu avô em 1916 e seu pai em 1944 – ambos nas grandes guerras.

Como sempre acontece, Waters foi perguntado sobre uma possível reunião do Pink Floyd, ao que declarou: “Acho que David Gilmour está aposentado. Não posso falar por ele, mas é a impressão que tenho. Mas tanto faz. Todas as coisas boas chegam a um final”.

Também tocaram no evento  Bruce Springsteen, Ricky Gervais, John Mayer e Robin Williams.

 

Roger Waters homenageia o ídolo e amigo Levon Helm

Numa recente entrevista para a Rolling Stone, Roger Waters declarou que seu disco favorito dos últimos 10 anos é Dirt Farmer, de Levon Helm, baterista da lendária The Band (também era ator). Roger confessou sentir muita saudade de Levon, que lutava contra um câncer desde o final dos anos 90 e faleceu em abril deste ano.

Levon Helm, Rick Danko e Garth Hudson (integrantes da The Band) ajudaram Waters a apresentar o espetáculo The Wall em Berlim, em 1990, no local onde antes existia o muro. Sobre isso, o baixista comenta: “Eu os convidei! Amo a música deles, e todos eles foram absolutamente incríveis. Levon veio falar comigo depois do show. Coçou a barba e disse: “Roger, gosto do seu estilo, cara. Quero que fique com o meu chapéu”. Ele tirou seu boné de beisebol do Arkansas Razorbacks e deu para mim. Tem sido meu boné de pescaria desde então, e é um dos meus bens mais preciosos.”

Na noite de ontem aconteceu, em New Jersey, o show beneficente Love For Levon. Entre vários astros, Roger Waters também se apresentou e homenageou o amigo, levando consigo o famoso boné e contando a história do presente.

Um belo momento de genuína homenagem.

Abaixo o vídeo em que Roger Waters se pronuncia no Love for Levon. Depois um trecho do show de ontem, em que Waters canta ao lado da My Morning Jacket.

Na sequência, os integrantes da The Band, somados a Sinéad O’Connor cantando “Mother” no show de 1990, em Berlim.

Roger Waters em Porto Alegre – um relato pessoal

Como prometido, estou enfim trazendo um pequeno relato das minhas impressões sobre o que foi o show de Roger Waters em Porto Alegre e tudo mais que fez parte deste dia especial. Sinceramente, ainda vivo aquela famigerada depressão pós-show, típica de quem acaba de passar por uma experiência que é muito maior que o evento em si. Quando a obra daquele artista faz parte da vida de quem o assiste, é impossível descrever ou mesmo prever todas as sensações que se terá antes, durante e depois do acontecimento. Uma coisa é definitiva: os efeitos, os sons, as performances, as lágrimas, a banda, o muro, o gênio Waters, tudo isso continuará me acompanhando, provavelmente, por toda a vida.

Relutei um pouco em escrever, pois tudo parece simplório quando tento falar um pouco do que vivi; porém, fazendo um relato bastante pessoal, creio que consiga ao menos mostrar com sinceridade alguns dos efeitos e sensações causados por The Wall Live.

Com ingressos garantidos desde o mês de novembro, estava preocupado com a possibilidade de eu ter alguma apresentação justamente no fim de semana do show. E não deu outra: toquei na noite de sábado e há semanas eu já sabia que teria de vir direto do meu trabalho, pegar meu carro, as pessoas que iriam comigo e encarar o dia todo, sem mesmo dormir. Assim foi feito. Cheguei em casa depois das 9hs da manhã e por volta das 10hs já estávamos na estrada rumo a Porto Alegre, para o estádio Beira-Rio.

Viagem tranqüila, chegando lá conseguimos um bom lugar para estacionar. O que mostrou que o sono e o cansaço em nada atrapalhariam aquele dia foi o fato de ficarmos batendo papo com a senhora que cuida do estacionamento, ela nos contando, entre outras coisas, que já estava ali desde as 5hs da manhã. Pois bem, fomos então almoçar qualquer coisa ali em volta do estádio e, assim que voltamos, fomos para a fila.

Os vendedores ambulantes e suas parafernálias com motivos do Waters e do Pink Floyd garantiam nossa distração. O sol fritava a cabeça que esbaldava ressaca, mas tivemos sorte que logo no início da tarde um estágio da fila foi aberto e pudemos passar o resto das horas esperando sob a sombra.

A partir daí, posso dizer que começou a cair uma ficha: a ficha que silenciosamente me dizia que sim, eu iria ver Roger Waters. As horas de espera, a tarde toda na fila, momentos que eu daria tudo para viver novamente. Ali, eu sentia a ansiedade aumentar a cada minuto. Perdia o pensamento numa conversa qualquer que mantínhamos, ria das inúmeras bobagens e piadas que fazíamos, tomava algo para matar a sede, mas logo estava de novo incrédulo diante do que iríamos assistir.

Abertura de portões = comemoração de título!

Mesmo com a fila andando, agora só pensávamos em entrar logo. Chegamos então ao último estágio, já na rampa de acesso ao interior do estádio. E qual não foi a minha surpresa ao ouvir que sim, estavam passando o som! É uma das coisas mais especiais que irei guardar comigo; era o primeiro contato direto com Waters naquele dia.

E então, finalmente chega um dos momentos mais aguardados daquela tarde: eram abertos os portões do estádio. Posso dizer que passei as últimas semanas em meio a vídeos e fotos de shows recentes de Waters, portanto já estava bastante a par daquilo que encontraríamos. Contudo, foi chocante deparar-me com a imensidão daquele muro e de toda a estrutura. O impacto visual é muito forte.

A chegada em Porto Alegre, o estacionamento, a entrada na fila, a abertura dos portões, a passagem de som, a entrada no estádio, todas foram etapas muito bem aproveitadas. E agora era chegada a hora de uma das mais deliciosas, a última antes do show: simplesmente aguardar as 3 horas que faltavam apreciando tudo o que estava a nossa volta, envolto na incredulidade daqueles que estão prestes a assistir um ícone da vida toda em frente aos próprios olhos. Tudo foi muito bem curtido e saboreado.

A estrutura é impressionante não só pelo imenso muro. O famoso som quadrafônico faz uso de torres de caixas de som espalhadas nas arquibancadas, para dar a impressão de se estar em meio a um home theater gigantesco. Quando vimos, estávamos bem próximos, quase embaixo do avião que bate contra o muro logo no início do show. Tornou-se, claro, alvo de inúmeras fotografias.

Enfim, o show!

Pois bem. O apagar dos refletores e o anúncio nos alto-falantes eram sinais de que iria começar a catarse.

Aquele som baixinho que se ouve ao fundo no começo do disco The Wall, acontece ao vivo também. O que se escuta é o solene e solitário trompete de “Outside the Wall” (última música do show). Então o soco no estômago: inicia o riff inconfundível de “In the Flesh”, com a qualidade sonora absurdamente maravilhosa que seria uma das marcas de todo o show. Ao surgir no palco, Roger Waters causa comoção. Estamos diante do gênio, do imponente e marcante baixista, o cérebro que fez o Pink Floyd tornar-se um dos maiores símbolos da história da música.

O impacto inicial estava causado. Incrédulo, eu levava as mãos à cabeça e sentia as lágrimas enquanto que Waters e sua banda desfilavam a arrebatadora seqüência inicial de The Wall, com “The Thin Ice”, “Another Brick in the Wall Part 1”, “The Happiest Days of Our Lives”, “Another Brick in the Wall Part 2”.

Por mais vezes que eu tenha escutado “Another Brick…” ver Roger Waters tocando-a ao vivo fez com que me passassem muitas coisas pela cabeça; era um momento grandioso. A partir daí, seguindo a ordem da ópera-rock, começa o set mais dramático e delicado, com “Mother” e “Goodbye Blue Sky”.

Acho que perfeição é a palavra certa para definir a maneira como as imagens projetadas naquele imenso muro de quase 140 metros acompanham o som, a temática e a atuação de Waters no palco. Sim, porque ele não é um mero músico ou criador levando a cabo sua maior obra. É, sobretudo, um ator, que nos intimida com sua imagem forte e sisuda.

O show tem como ponto principal a crítica ao capitalismo voraz, às guerras que são uma constante forma de vitimar famílias e, claro, traz toda a questão existencial que está na origem da obra; é um espetáculo político, que não poupa símbolos consumistas, tampouco governantes. O mundo mudou, Waters mudou, mas o espetáculo e sua temática são mesmo atemporais.

Após o intervalo, o ‘lado B’ inicia com “Hey You” e o muro escondendo por completo a banda. Mais uma vez é impossível não se emocionar com a imagem. É algo muito forte, justamente em uma das canções mais dramáticas de The Wall.

O isolamento simbolizado pelo muro ganha tensão com “Is There Anybody Out There”. Aliás, esta é uma das frases que nunca me saem da cabeça, quando penso no show, no disco. Ao final de “Bring the Boys Back Home”, volta o questionamento e, enfim, chega o momento apoteótico de “Comfortably Numb”.

Aproveito aqui para falar da performance da banda. Simplesmente fantástica! Os guitarristas Dave Kilminster e Snowy White são dois ícones do instrumento. Aliás, eu nunca vou esquecer a nota longa que Snowy faz no solo de “Hey You”. Foi uma ocasião daquelas em que tive vontade de sair urrando, tal a emoção que aquela audaciosa e desafiadora única nota causou. Inesquecível. Também é preciso falar dos vocalistas. Robbie Wyckoff faz as vozes que originalmente são de David Gilmour. Ele canta muito e em nenhum momento faz essa sua capacidade se sobrepor às canções. A performance do grupo de quatro backing vocals masculinos chama a atenção. Tem-se a impressão de se estar ouvindo o disco, tamanha é a perfeição.

Após “In The Flesh” e “Run Like Hell”, mesmo com a emoção em presenciar o ápice do show e a iminente queda do muro, começou a me bater uma sensação de tristeza e melancolia. Aquela noite haveria de terminar. E faltava pouco.

A cênica “The Trial” é a deixa para que se imploda o muro. E digo: é uma cena assustadora. Ver os tijolos que começam a cair aos poucos e, de repente, ver partes do muro desabando a nossa frente é impressionante. Catarse pura! Só presenciando a cena ao vivo para ter a real dimensão.

E então, num clima folk, confortável e acolhedor, a banda surge em frente ao muro caído e toca “Outside The Wall”. Ao trompete, Waters comanda o ato final. Vai dizendo o nome de seus músicos que, um a um, deixam o palco, ainda cantando a canção. É o final da noite mais mágica e alucinante que eu já tive em minha vida.

Nunca houve, nem haverá espetáculo como este. Pode-se falar de estruturas, de teatralidade, de canções imortais, de performances musicais, de temáticas… nada jamais será tão completo e tão impressionante como The Wall.

Deixando o estádio, uma sensação estranha de melancolia e de ter presenciado algo incomparavelmente grandioso tomou conta. É como se eu tivesse deixado algo para trás. Eu não queria nunca que aquele show terminasse. Ele ainda está vivíssimo em minha retina, na minha mente… e por um bom tempo, ficarei assim, confortavelmente entorpecido, com saudade de tudo que se passou neste dia, cada detalhe, cada minuto, cada som.

A vida após The Wall

Hoje me sinto inebriado, um tanto bobo e com um imenso e estranho vazio. Essa sensação, mesclada com uma satisfação indescritível, passou a se evidenciar a partir do momento em que saí do estádio, terminado o show.

Não vou me ater muito a descrever o que foi o espetáculo The Wall que assistimos na noite de ontem. O impacto foi tão avassalador que qualquer tentativa de explicá-lo hoje se torna simplória.

O vazio parece o de ter perdido algo que me pertencia. A ansiedade pré-show, o nervosismo antes de se abrirem os portões, essas sensações todas não voltariam mais. E o show.

Bom, o show é mesmo uma experiência de múltiplas sensações. Euforia, emoção, vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. A qualidade do som, dos efeitos, das imagens projetadas naquele imenso telão de quase 140 metros que se tornou o muro, a banda e seus músicos maravilhosos.

E o gênio Waters. Sua figura onipresente é por si só muito impactante. Ele intimida, desestabiliza. Estamos diante do grande criador que enfim, leva a cabo a versão definitiva de seu mais megalômano delírio. Sempre de preto, alto, com os cabelos grisalhos e sua barba por fazer, ele exala um carisma diferente, intimidador e ao mesmo tempo próximo. Estamos diante do gênio.

É tolo querer descrever o que se passou. Mas pode se resumir à vontade de querer as pessoas mais importantes da minha vida por perto, testemunhando aquilo. Lembro-me do passado, quando ainda muito jovem passei a ser fã de Pink Floyd, momento em que passou a ser o que ainda é hoje e sempre será: a banda mais importante da minha vida. Tudo isso agora dimensiona um pouco do que é essa sensação indescritível que vai seguir me acompanhando, talvez para sempre.

The Wall: antes do show, detalhes sobre a banda de Roger Waters

A grandiosidade das apresentações ao vivo de Roger Waters só é possível porque, além de tudo, ele conta com uma grande banda, formada por músicos experientes em turnês e sessões de estúdio.

Para a apresentação ao vivo de The Wall, Waters manteve a base que já o acompanha já há vários anos.

O baterista é Graham Broad, que tocou com Waters no antológico The Wall Live in Berlin, de1990, e participou dos álbuns solo de Waters  Radio Kaos e Amused To Death. Gravou as baterias em discos de artistas como George Michael, Tina Turner, Van Morrisson, Bill Wyman, Bryan Adams e Jeff Beck.

Nos teclados, uma figura carimbada para qualquer fã de David Gilmour e Roger Waters: Jon Carin. Diria que, se há um músico no mundo do qual eu tenho inveja, é ele. Tornou-se colaborador do Floyd pós-Waters, nos álbuns A Momentary Lapse of Reason, The Delicate Sound of Thunder (ao vivo), The Division Bell e Pulse (ao vivo). Acompanhou David Gilmour em suas turnês nos últimos anos, bem como é membro da banda de Roger Waters desde 2001, quando participou da turnê In The Flesh.

O outro tecladista é ninguém menos que Harry Waters, filho de Roger. Está na banda desde 2002.

As guitarras são um fundamental capítulo à parte quando o assunto remete a Pink Floyd. Sabe-se de seu papel fundamental nas composições da banda através da genialidade de David Gilmour. Pois Waters, sempre se fez acompanhar por grandes monstros sagrados do instrumento. Músicos capazes de dar alma e essência aos solos criados por Gilmour, mas com personalidade e luz própria inquestionável. Hoje, o responsável pela maioria dos solos é  o grande Dave Kilminster, que está na banda desde 2006. Ele é um conceituado professor de guitarra em Londres, em 1996 gravou seu primeiro disco solo ‘Playing with Fire’. Participou de gig’s com artistas como Keith Emerson, Ken Hensley, John Wetton, Guthrie Govan, Carl Palmer. Considero Dave um dos protagonistas do espetáculo.

Outra figura carimbada dos shows de Roger Waters é simplesmente a lenda da guitarra Snowy White. Ele já era músico de apoio do Pink Floyd ainda na década de 70. Paralelamente à sua carreira solo, formou a banda The White Flames e participou do disco “Chinatown” do Thin Lizzy. Snowy também tocou no show que Waters fez em Berlim, em 1990, e participou de todas as suas turnês seguintes. Sou totalmente apaixonado por sua maneira de tocar. Ele possui uma elegância ímpar e tem uma personalidade musical que poucos músicos possuem, pois se num momento ele soa sujo e venenoso, em outro ele é delicado e limpo. É genial ao ponto de encantar com apenas uma longa e única nota extraída de sua imprescindível Gibson Les Paul Golden Top ‘1957.

Mantida a conhecida base de sua banda, Waters mudou algumas peças para a turnê de The Wall.

Revezando o baixo com Waters, por vezes tocando uma terceira guitarra ou violão, temos G. E. Smith; Robbie Wyckoff é o vocalista que canta as partes que originalmente são de David Gilmour. Saíram as backing vocals femininas e entraram quatro vozes masculinas para os intrincados trabalhos vocais: Jon Joyce, Kipp Lennon, Mark Lennon e Patt Lennon, sendo que estes três últimos são integrantes do grupo vocal Venice.

O espetáculo que estamos prestes a assistir será uma experiência de inúmeras e indescritíveis sensações e o fato de a banda ficar escondida atrás do muro na maior parte do show contribui para isso. Mas certo mesmo é que, além de toda a magnitude do show, teremos um espetáculo de grande qualidade musical. Não poderia ser diferente.

A ansiedade toma conta destes sempre maravilhosos momentos que antecedem o show. Semana que vem tentarei descrever através de meras palavras como foi o show.

Ao final do show, à paisana e sem os uniformes militares usados durante toda apresentação, a banda toca "Outside the Wall" em frente ao muro derrubado.