Nova música do Pink Floyd na íntegra

Muito tem se falado do novo e derradeiro álbum que o Pink Floyd irá lançar em breve (eu também já dei minha opinião não muito empolgada sobre o disco), ao mesmo tempo em que trechos de canções de The Endless River vêm sendo soltas para que os fãs tenham uma prévia.

Aqui posto “Louder Than Words”, única faixa a ser divulgada na íntegra até agora e uma das poucas que possuem letra.

Confesso que esperava um pouco mais, me parece que a faixa poderia simplesmente fazer parte de um disco solo de David Gilmour com uma participação de Nick Mason, quem sabe, apesar do ar Floydiano que um solo do genial guitarrista sempre ajuda a construir.

 

Ouça “Louder Than Words”

 

 

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Sobre as eleições 2014

A frase é de Winston Churchill: “a democracia é o pior regime que existe, exceto todos os outros”.

Sempre que me frustro após alguma eleição – e isso tem se tornado uma constante – acabo lembrando a célebre sentença do político britânico. Estar em um regime democrático é conferir e conviver com direitos iguais de escolha a todos os envolvidos e ponto.

Sim, fico pasmo pensando no que leva alguém a votar em determinado candidato – e aqui nem estou falando naqueles com alguma história e que aparecem entre os mais prováveis a serem eleitos, ou daqueles com menor representatividade, mas com fundamentos sérios e relevantes. Me refiro a candidatos que jamais poderiam passar perto da possibilidade de serem eleitos, que sequer poderiam postular um cargo.

Falo do absurdo que é candidato celebridade se eleger, tal como os extremamente conservadores, reacionários, abertamente homofóbicos, retrógrados, cujo centro do mundo é o próprio umbigo.

É triste e interessante notar que, à medida que a democracia no Brasil vai se tornando mais madura, com mais idade, nosso voto torna-se cada vez mais ultrapassado, conservador, cheio de preconceitos, na contramão do mundo.

Por mais que tentemos entender a mente de quem vota absurdamente mal, de qualquer jeito, como se fosse uma brincadeira, sem ter noção ideológica, do caráter e da capacidade de seu candidato, por mais que apareçam por aí os gaiatos descolados, que traçam variáveis antropológicas tentando enxergar na limitação intelectual algum tipo de voto de protesto, a explicação para tamanho mau uso da democracia, tal nós brasileiros fazemos, é muito fácil: falta educação.

Infelizmente, tudo de ruim neste país tem a mesma origem: nossa educação é péssima. E o mais trágico é que os candidatos sequer defendem mais essa bandeira. Tornou-se um círculo vicioso, é um tema que não traz votos e tampouco interessa às pessoas, imersas em sua ignorância e mais preocupadas em ditar a vida dos outros, como por exemplo, interferir no direito de cada indivíduo de ter a opção sexual que bem entender.

Retomemos a frase de Churchill: ótimo, todos temos direitos iguais de voto, tudo lindo e maravilhoso. O problema é eleger políticos que, além de inaptos intelectualmente vão justamente na contramão da ideia de democracia, de igualdade e que querem impor suas ideologias retrógradas e conservadoras a todo custo.

Idiota mesmo sou eu, que ainda insisto no tema da educação.

Sobre políticos e suas propagandas

É preciso interessar-se pela política, buscar por candidatos que estejam de acordo com nossas idéias e princípios, estar ciente de seus currículos, etc. Isso é básico. Somente num país como o nosso – bom do pé e ruim da cabeça – com uma educação defasada e em que uma eleição torna-se uma disputa com ares esportivos para não se entender este princípio básico de uma civilização.

Dito isso, o foco do meu texto é mais prático, mais palpável a todos nós, certamente fruto da total desilusão quanto à classe política viciada que se beneficia das entranhas do poder, tal qual faz um tumor maligno impregnado no organismo de um desafortunado que morre em uma fila de hospital.

Há muitas semanas torço para que passe de uma vez o período eleitoral, pois se tornou uma tarefa absurdamente desagradável circular por qualquer espaço que esteja fora de nossas próprias casas. A poluição visual causada pelas malditas placas, faixas, cavaletes de candidatos é agressiva, insuportável, cansativa.

A utilidade que vejo dessa propaganda toda é servir, quem sabe, de metáfora para o perfil e a moral da própria classe política: suja, desagradável, pegajosa, que só aparece de quatro em quatro anos.

Outro dia, dirigindo, vi na beira da estrada um sujeito instalando plaquinhas com faixas de candidatos. Impressionou-me a empolgação do indivíduo, parecia que ele estava “mudando o Brasil”, “salvando a nação”, cumprindo um feito épico. Uma ova!

No final de semana, vendo mais uma vez a quantidade absurda de cartazes com rostos sorridentes de candidatos, não pude deixar de ter uma leve náusea.

Eu só enxergo nas caras deslavadas o desejo por garantir o seu futuro, o sonho de tirar a sorte grande, de receber um salário gordo, muitos benefícios e a chance de encher os bolsos de modo sorrateiro, avalizando o futuro dos netos e tendo um lugar de honra num quadro pendurado na parede da mansão da família.

Sua verdadeira preocupação são as costuras para a próxima empreitada eleitoral. No mais, só vejo a sede pela picaretagem.

O sorriso de bicheiro, a lata trabalhada no photoshop… apenas consigo pensar na ansiedade deles em se dar bem na vida, com base na lábia que precisam despejar agora, mas que vale o esforço, pois depois é só questão de sumir por quatro anos e curtir a vida, os louros, os puxa-sacos, a fortuna e os meandros do poder – um prêmio cobiçado concedido por um país burro e sem vergonha ao picareta de nível maior: o político brasileiro.

O que esperar de The Endless River, novo disco do Pink Floyd

capa-de-the-endless-river-novo-disco-do-pink-floyd-1411402897875_615x300Fã confesso e absoluto do Pink Floyd que sou, não posso deixar de falar sobre a enxurrada de publicações que começaram a circular desde ontem, agora de forma oficial, acerca do derradeiro álbum que a banda (o que sobrou dela – David Gilmour e Nick Mason) irá lançar dia 10 de novembro, contendo material das sessões de gravação de The Division Bell, de 1994.

Embora eu já tenha publicado a notícia aqui no blog há algum tempo e, apesar de todo o frisson causado de antemão, não consigo me empolgar tão loucamente. Talvez porque nunca tenha me emocionado com sobras de estúdio de qualquer artista, talvez porque o Floyd apenas sem Waters ainda era plausível, enquanto que como uma dupla me pareça algo muito estranho. Não sei.

Ok, as músicas de The Endless River foram gravadas quando Richard Wright ainda estava vivo, porém, para mim, o desfecho certeiro da banda se deu em 2005, numa reunião da formação clássica, inclusive com Roger Waters, durante a apresentação do festival Live Eight – apesar das caras tortas de Gilmour e das sabidas discussões sobre repertório que aconteceram nos bastidores antes de subirem ao palco.

Considero The Division Bell um disco Pink Floyd até os ossos. Claro, com a sonoridade diferente, a temática idem, afinal, o comando havia mudado.

Porém atualmente, acho que Waters leva a cabo muito mais legitimamente o som do Pink Floyd – como fez em sua arrebatadora turnê The Wall, que, aliás, logo sairá em DVD – este sim um lançamento sem riscos de erro, pelo qual fãs de todo mundo aguardam ansiosamente.

Sempre fui admirador do conjunto da obra, bem como nunca me opus à expressão artística de nenhum dos dois – Gilmour e Waters. Tanto que gosto demais do trabalho solo que Gilmour fez na última década, gravando disco inédito inspiradíssimo, levando pra estrada um show maravilhoso.

Acredito que The Endless River será um bom álbum, mas não representará nada de relevante na história musical da banda. Além do mais, paira no ar um clima um tanto new age, com aquela foto de capa que foi divulgada ontem.

Contudo, a obra do Pink Floyd é tão grandiosa e eloqüente, que nada será capaz de macular o que se fez de maravilhoso em todos estes anos. E é a isso que eu me apego.

Música é mar, letra é embarcação

Outro dia, assistindo um documentário sobre Marina Lima, gostei muito de uma expressão que ela usou, ao falar da construção da canção: “música é mar, letra é embarcação”.

É interessante como várias reflexões nos vêm à mente a partir desta frase. Começa pela importância (nada mais do que a real importância, diga-se de passagem) que uma artista notadamente pop dá para a música em si – resultado de melodia, harmonia e ritmo.

Veja a grandeza do elemento música e todas as suas possibilidades, desde a simples opção entre o uso de um acorde ou outro. Os emaranhados maravilhosos de harmonias sofisticadas de um Tom Jobim; a genial música dos Beatles – muitas vezes simples harmonicamente, porém sempre original melodicamente e, acima de tudo, não menos sofisticada.

Por outro lado, um dos aspectos mais inexplicáveis da música é o ritmo e seu poder de nos atingir simplesmente por meio do uso bem sacado de notas e pausas, através de tempos e compassos.

Sem bancar o chato com uma linguagem técnica enfadonha: o que leva você a bater o pé ao acompanhar um ritmo? Não há explicação. Apenas a constatação de que é algo muito forte, intenso e puro. Tanto é que, não raro, uma criança que mal sabe dar seus primeiros passos, que tampouco consegue falar uma palavrinha sequer, começa espontaneamente a se sacolejar ao som de uma batida rítmica que lhe agrade.

Simplicidade é diferente de simplório: penso em tantos jogos harmônicos intrincados de composições um tanto pretensiosas que muitas vezes nada possuem de musicais e encantadoras, bem como notas e mais notas que no fim parecem apenas um mero desperdício. Isto é ser simplório, é subestimar a arte.

De vez em quando se utiliza a expressão “na música, menos é mais”. Ok, funciona em muitos casos. Porém, a grande graça da coisa é que não existe uma fórmula de fato. Em muitas ocasiões, mais é mesmo mais e pronto. Mas quem sabe dizer exatamente o que é esse mais?

Acho que o que define tudo é a existência de um bom senso estético. Existe a hora certa de respirar, de pulsar, de criar tensão, de simplificar, de complicar, de aliviar. Mas, como já se disse que não existe fórmula pronta, o bom senso e a noção de estética é que serão preponderantes no resultado final de uma expressão musical.

O grande Nico Assumpção já sentenciou sabiamente: você estuda, ouve, decora padrões, fórmulas, organiza clichês, cria técnicas, se debruça sobre teorias, etc. Na hora de tocar, coloque tudo isso de lado e preocupe-se em fazer música.

Que sacada perfeita! É uma diretriz que procuro sempre levar comigo. Isso é enaltecer a arte, dar a ela o seu devido e inestimável valor.

O fato de conhecer um punhado de informações a mais não fará ninguém mais músico do que um sujeito que, sem nada disso, faz um som maravilhoso, sincero e cheio de ritmo lá num bar qualquer de Cuba, por exemplo.

A música não é algo gelado, enquadrável. David Gilmour dizia que era preciso saber descompactar, referindo-se à capacidade de jogar levemente com o andamento da canção, baseando-se nas suas dinâmicas.

A música é arte, é maior do que qualquer pretensiosa explicação lógica. A música é mar.

E ainda nem falamos das embarcações…

Um certo distanciamento da música

Quando eu era adolescente e esporadicamente ia de carona no carro de meu pai, não entendia muito bem porque ele ouvia rádios que rodavam pouca ou nenhuma música, com muita conversa, debates e notícias.

Pelos 17 anos, um dia me surpreendi ao perceber que meu professor de música era adepto das mesmas rádios de notícias, no velho estilo AM, sem nada de programação musical. Eu nunca esqueci aquela passagem.

Pois à medida que fiquei adulto, adquiri hábito semelhante. Quando estou sozinho em meu carro, geralmente ouço rádios em que haja conversas, notícias, debates e não música.

É um traço bastante peculiar de uma personalidade, mas que, como todas as pequenas coisas, talvez diga muito, bem mais até do que eu mesmo consiga entender.

Um rádio ligado, com pessoas falando, dá uma sensação de companhia – acredito que muitos concordem com isso. Acho também que se deve ao fato de não haver tantas rádios com programações musicais interessantes por aí. Obviamente que existem as nobres exceções. E sim, sempre há os dias em que coloco minhas músicas no meu pendrive e faço delas minha companhia de viagem.

Acredito que por estar imerso em um universo musical desde quando era criança, por sempre ter estudado, e até por algumas coisas que simplesmente enchem o saco – como em qualquer outra profissão – por mais que a música pareça algo agradável, há horas em que prefiro me desligar disso e ouvir um papo furado qualquer sobre futebol, por exemplo.

É o mesmo sentimento que por vezes me faz evitar programas musicais na televisão. O envolvimento com a música como sendo meu trabalho, a convivência com colegas de profissão, as conseqüentes decepções e frustrações, mudanças de planos, acho que tudo isso fez com que em certos momentos eu apenas queira distância da arte que eu tanto amo. E não é um enfado em relação à arte em si.

Há muito mais aspectos envolvidos numa relação sincera com a música que qualquer explicação mais óbvia possa querer esclarecer.

 

A morte de Robin Williams

downloadUm verdadeiro choque a notícia da morte do Robin Williams, mais ainda pelas circunstâncias que envolvem o fato. Há anos que, esporadicamente, sabia-se algo sobre sua luta contra a dependência alcoólica e química, mas o problema da depressão não era tão conhecido.

Infelizmente, percalços tão comuns aqui embaixo, tornam os ídolos mais humanos e próximos a nós. É assustador perceber que, mesmo a grana, mesmo a fama, não são capazes de nos resgatar de um poço tão cruel e tão impossível de ser escalado.

Quando acontecem estes casos, como o aparente suicídio de Robin Williams e a recente morte (também por suicídio) do humorista brasileiro Fausto Fanti, mesmo que não tenhamos conhecimento algum sobre as suas intimidades, o que mais penso é na aflição que estavam passando. Eu só consigo pensar nisso, num aparente sufoco, uma agonia indescritível.

Assisti inúmeros filmes de Robin Williams. Não há como não citar o inspirador Sociedade dos Poetas Mortos, tampouco o comovente Gênio Indomável e o tocante Patch Adams. As comédias destacam-se em seu currículo e, mesmo quando seu papel não fosse tão cômico, a sua atuação continha um quê de inocência, de ingenuidade, que o tornava irresistível.

Eu destaco um filme em que ele interpreta um vilão, chamado Insônia, no qual contracena com Al Pacino e Hilary Swank. É um trabalho surpreendente, que foge daqueles que nos acostumamos a ver.

Mas de todos, acho que o que mais gosto e sempre terei vontade de assistir é o maluco e surpreendente Bom Dia Vietnã, onde ele interpreta um radialista recrutado para levar ao ar um programa de rádio em pleno Vietnã, a serviço das forças armadas americanas. Neste filme de 1987, Robin Williams é muito ele mesmo: fala pelos cotovelos, faz mil piadas por minuto – nos bastidores do filme revela-se que grande parte das suas tresloucadas locuções foram feitas de improviso, devido à sua capacidade de levar o personagem adiante por si só.

Mas como não voltar a pensar na aflição que ele passou, na falta de saídas, de ânimo para continuar vivendo…